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Mulheres são maioria entre produtores atendidos pela Prefeitura e se destacam na zona rural de Vitória da Conquista

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA As mulheres representam aproximadamente 55% dos produtores rurais atendidos anualmente pe...

15/10/2026 às 19h13
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

As mulheres representam aproximadamente 55% dos produtores rurais atendidos anualmente pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR). São cerca de 2.700 produtoras beneficiadas por projetos de incentivo à produção, assistência técnica e ações de fortalecimento da agricultura familiar. No Programa Garantia-Safra, a participação feminina é ainda maior, chegando a 60%.

Os números mostram a importância das mulheres para o desenvolvimento da zona rural do município. Além do trabalho na agricultura, elas atuam na educação, na saúde, no comércio e em outras atividades que contribuem para a geração de renda e o desenvolvimento das comunidades. São histórias de trabalho, superação e busca por independência, que ganham destaque neste 15 de outubro, Dia Internacional da Mulher Rural.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Naiara Oliveira Souza de Jesus

Uma dessas histórias é a da engenheira agrônoma Naiara Oliveira Souza de Jesus, de 38 anos, que começou a trabalhar ainda criança na colheita de café e hoje atua na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural. Assim como ela, outras mulheres do campo têm conquistado espaço por meio dos estudos, do empreendedorismo e do serviço à comunidade.

Da colheita de café à Engenharia Agronômica

Natural de Vitória da Conquista, Naiara foi morar no povoado de Cafezal, na Barra do Choça, aos dois anos de idade, após o falecimento do pai. Filha de produtores rurais, começou a trabalhar ainda criança, como catadora de café, para ajudar a família.

Em 2008, aos 20 anos, foi aprovada no concurso público da Prefeitura e passou a atuar na Secretaria de Finanças. Casou-se com Gilmar, teve a primeira filha, Maria Eduarda, e, em 2013, aos 25 anos, realizou o sonho de cursar Engenharia Agronômica na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Durante a graduação, nasceram Ana Laura e Heitor. Todos os dias, Naiara conciliava o deslocamento da zona rural até a sede, as aulas, o trabalho e os cuidados com a família.

Perto de concluir o curso, foi transferida para a então Secretaria de Agricultura, hoje Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR). “Foi um divisor de águas para minha profissão, porque até então eu não imaginava que conseguiria trabalhar na área. Eu achava que estava fazendo um curso, mas que era um sonho bem distante. Tive apoio da prefeitura para conseguir terminar o curso. Hoje, atuar como engenheira agrônoma é um sonho realizado para mim. É uma área que eu gosto bastante, acho muito importante e é também a área em que fui criada. Durante a minha infância, eu trabalhei no campo”, conta Naiara.

Além do trabalho na SMDR, ela empreende no povoado onde vive até hoje. Aprendeu o ofício na Secretaria e instalou, na própria propriedade, um viveiro para produção e venda de mudas de umbu gigante.

Educação abre novas oportunidades

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Janna Vianna

No povoado de Itapirema, a estudante de Pedagogia Janna Vianna também busca construir seu futuro profissional sem deixar suas raízes no campo. Mãe de dois filhos, ela divide o tempo entre a família, os estudos e as atividades da casa.

Como estagiária na Escola Municipal Raul Pompéia, Janna conheceu de perto a realidade de uma escola do campo.

“Apesar de sempre ter morado na zona rural, toda a minha trajetória escolar aconteceu na zona urbana. Por isso, vivenciar a realidade de uma escola do campo ampliou meu olhar sobre a educação. Ver o compromisso dos profissionais com a aprendizagem das crianças fortaleceu em mim o desejo de continuar nessa área”, relata.

Para Janna, a formação universitária representa a possibilidade de conquistar independência e também de incentivar outras mulheres a estudar.

“Como mãe, também penso no exemplo que estou construindo para meus filhos. Quero que eles cresçam compreendendo que estudar vale a pena e que os sonhos exigem esforço. Acredito que minha caminhada também pode inspirar outras mulheres que precisam dividir seu tempo entre a família, o trabalho, a casa e os estudos”.

Empreendedorismo e independência financeira

Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vitória da Conquista - BA

Milka Gomes

Também em Itapirema, a designer de sobrancelhas Milka Gomes encontrou no empreendedorismo uma oportunidade de gerar renda e construir sua independência financeira.

Mas manter um negócio na zona rural apresenta desafios. Entre eles estão as dificuldades para receber mercadorias, a necessidade de viajar para buscar produtos, a menor visibilidade dos serviços em comparação com os estabelecimentos da cidade e a organização das finanças.

Para Milka, ampliar as oportunidades de capacitação, facilitar o acesso ao crédito e incentivar as vendas pela internet são medidas importantes para fortalecer os negócios liderados por mulheres. “Assim, as mulheres podem desenvolver os seus negócios, conquistar sua própria renda e ter mais independência”, afirmou.

Cuidado com a saúde das mulheres do campo

Quem conhece de perto a rotina das mulheres de Itapirema é Núbia Santos, agente de saúde da comunidade. É ela quem bate à porta, escuta e acompanha as famílias, e por isso enxerga o que está por trás da jornada de cada uma. “As mulheres da zona rural têm várias jornadas de trabalho: em casa, no cuidado com os filhos, na lavoura, ou se deslocando para a cidade para trabalhar em casa de família. Muitas trabalham para ajudar os maridos e não para si”, observa.