
HORA DA TERAPIA
Com Daniele Queiroz
Psicóloga clínica, pedagoga, especialista em Pedagogia Empresarial, Neuropsicologia, Neuropsicopedagogia e Neurociências
Um espaço para se ouvir, se compreender e cuidar de si.
VAMOS FALAR SOBRE ANSIEDADE?
Por Daniele Queiroz — Blog Hora da Terapia
Você já ouviu falar em ansiedade e, provavelmente, já sentiu seus efeitos em algum momento da vida, certo?
Afinal, a ansiedade faz parte da experiência humana. Por isso, mais do que simplesmente falar sobre ela, precisamos compreender seus mecanismos e entender como ela pode agir sobre nossa mente e nosso corpo.
Vivemos em um mundo no qual quase todos parecem estar sempre com pressa.
Crianças, jovens, adultos e idosos são constantemente estimulados a fazer mais, produzir mais, responder mais rápido e permanecer sempre disponíveis.
A pressa passou a ser vista como algo normal, enquanto a lentidão, o descanso e a pausa muitas vezes são interpretados como defeitos.
Mas será que isso é realmente normal?
A ansiedade, em certa medida, tem uma função importante. Ela nos prepara para situações que exigem atenção, cuidado ou tomada de decisão.
O problema surge quando esse estado de alerta se torna frequente, intenso e desproporcional às situações vividas.
Quando a preocupação passa a ocupar grande parte dos nossos pensamentos, podemos experimentar sintomas físicos e emocionais, como tensão, irritabilidade, dificuldade para dormir, aceleração dos pensamentos, palpitações, falta de ar e uma sensação constante de que algo ruim está prestes a acontecer.
Em algumas situações, esses sintomas podem ser tão intensos que levam a pessoa a procurar atendimento médico de urgência.
É importante lembrar: a ansiedade excessiva pode afetar tanto a saúde mental quanto o funcionamento do nosso corpo.
A ANSIEDADE E O FUTURO
Costumo utilizar uma comparação simples para ajudar na compreensão.
Enquanto a depressão pode, em alguns casos, estar associada a experiências dolorosas e sentimentos ligados ao passado, a ansiedade frequentemente nos coloca diante de preocupações com aquilo que ainda não aconteceu.
É a mente tentando antecipar o futuro.
“E se der errado?”
“E se acontecer alguma coisa?”
“E se eu não conseguir?”
“E se acontecer o pior?”
Nossa mente é capaz de construir inúmeros cenários antes mesmo que a realidade aconteça.
E muitas vezes existe uma tendência de imaginar justamente os cenários negativos, como se antecipar o sofrimento pudesse nos proteger dele.
Mas será que pensar repetidamente no pior resultado realmente nos prepara?
Na maioria das vezes, não.
Podemos acabar experimentando, no presente, o sofrimento de uma realidade que talvez nunca aconteça.
QUANDO A MENTE NÃO CONSEGUE DESACELERAR
O cérebro humano possui uma enorme capacidade de criar, imaginar, antecipar e estabelecer conexões.
Podemos viajar mentalmente para lugares que ainda não conhecemos, reviver acontecimentos do passado e imaginar situações que sequer aconteceram.
Essa capacidade é extraordinária.
Mas precisamos aprender a utilizá-la a nosso favor.
Quando passamos muito tempo tentando prever tudo aquilo que poderá acontecer, podemos perder contato com aquilo que está acontecendo agora.
Não podemos controlar tudo o que acontecerá amanhã.
Mas podemos cuidar da maneira como estamos vivendo hoje.
O futuro será construído a partir das escolhas, atitudes e experiências que vivenciamos no presente.
O PRESENTE TAMBÉM PRECISA SER VIVIDO
Talvez uma das grandes dificuldades do nosso tempo seja justamente essa:
estamos tão preocupados em chegar ao amanhã que, muitas vezes, esquecemos de viver o hoje.
Pensamos no próximo compromisso.
Na próxima conta.
No próximo problema.
Na próxima decisão.
No próximo objetivo.
E quando percebemos, passamos grande parte da vida esperando pelo momento seguinte.
Por isso, talvez seja necessário reaprender algo aparentemente simples:
estar presente.
Respirar.
Observar o ambiente.
Perceber o corpo.
Reconhecer os pensamentos sem acreditar automaticamente em todos eles.
Permitir-se fazer uma coisa de cada vez.
Entender que descansar também é necessário.
PLANEJAR NÃO É O MESMO QUE SOFRER ANTECIPADAMENTE
Pensar no futuro faz parte da vida.
Fazer planos é saudável.
Organizar compromissos e estabelecer objetivos também.
O problema aparece quando a preocupação deixa de ajudar no planejamento e começa a consumir o presente.
Existe uma diferença entre se preparar para uma situação e viver constantemente como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.
Por isso, observe:
Quanto tempo do seu dia é dedicado a situações que realmente estão acontecendo?
E quanto tempo é consumido por acontecimentos que existem apenas como possibilidades em sua mente?
Essa reflexão pode ajudar a perceber quando a preocupação está ocupando um espaço maior do que deveria.
QUANDO PROCURAR AJUDA?
Sentir ansiedade em determinados momentos não significa necessariamente ter um transtorno de ansiedade.
No entanto, quando a preocupação se torna muito frequente, difícil de controlar ou começa a interferir no sono, no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou na qualidade de vida, procurar ajuda profissional pode ser importante.
A psicoterapia pode contribuir para compreender os pensamentos que alimentam a ansiedade, reconhecer gatilhos, desenvolver formas mais saudáveis de lidar com as preocupações e construir estratégias para enfrentar situações difíceis.
Não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para procurar ajuda.
Cuidar da saúde mental também é prevenção.
UM CONVITE PARA O AGORA
Então, respire.
Diminua o ritmo quando for possível.
Observe seus pensamentos.
Permita-se estar presente.
O futuro merece planejamento, mas não precisa roubar o seu presente.
Viva o hoje.
Cuide de você.
E lembre-se de que o presente é, verdadeiramente, uma dádiva que recebemos.
E você?
Tem vivido o presente ou passado tempo demais tentando controlar o futuro?
Pense sobre isso.
Hora da Terapia — com Daniele Queiroz
Um espaço para se ouvir, se compreender e cuidar de si.
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