



Por Kakau Fernandes — Especial para o Portal Connect Cultura
Uma infância simples, feliz e repleta de histórias de superação. O futebol jogado nas ruas. As festas organizadas pela família. As rodas de samba e pagode que reuniam parentes e amigos.
Foi nesse ambiente que começou a história de Gustavo Augusto Gomes dos Santos, conhecido artisticamente como Sacy, líder do grupo Pagode do Sacy.
Determinado a construir uma carreira sólida e deixar sua marca na música brasileira, Sacy define-se como um homem tranquilo, focado, humilde e movido pela fé.
Seu desejo é conquistar reconhecimento no Brasil e, futuramente, levar o Pagode do Sacy também para outros países.
“Quero fazer história na música brasileira. Sonho não apenas com o território nacional, mas também com o internacional, se Deus permitir.”
A paixão de Sacy pela música surgiu de maneira espontânea.
Onde havia uma partida de futebol, havia também pagode. Nas peladas realizadas nas ruas, nos campos e nos encontros depois dos jogos, o gênero musical estava sempre presente.
“Onde tinha futebol, tinha pagode. Onde tinha uma peladinha na rua, você escutava pagode. Quando o futebol acabava, no bar ao lado também estava tocando pagode.”
O contato familiar também foi decisivo.
As festas promovidas por sua família frequentemente terminavam em rodas de samba e pagode. Primeiro, Sacy observava. Depois, começou a participar como músico e cantor.
O que era diversão transformou-se em vocação.
Entre as principais referências musicais de Sacy estão Raça Negra, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Thiaguinho.
Do Raça Negra, herdou a identificação com as canções românticas e com a maneira direta de se comunicar com o público.
Thiaguinho também se tornou uma referência pela capacidade de unir letras românticas a um espetáculo mais movimentado, alegre e participativo.
“É uma letra romântica, mas com mais astral, mais pegada e mais agitação para jogar o público para cima.”
Entre todos os artistas que o inspiram, Luiz Carlos, vocalista do Raça Negra, ocupa um lugar especial.
As músicas do grupo fizeram parte de sua infância e estavam presentes nos programas de televisão que sua família acompanhava.
“Minha mãe era apaixonada pelo Raça Negra. Ligava o Faustão e eles estavam lá. Ligava o Gugu e eles também estavam. Luiz Carlos é um cantor maravilhoso.”
A decisão de viver exclusivamente da música exigiu coragem.
Após adquirir experiência em diferentes bandas, Sacy percebeu que poderia transformar o trabalho artístico em sua principal fonte de renda.
Ele deixou o emprego com carteira assinada e decidiu apostar integralmente na carreira.
“Saí do emprego formal e arrisquei tudo. Mobiliei minha casa com a ajuda de alguns amigos, comecei a vender minhas participações, meus shows e montei minhas próprias apresentações.”
A caminhada não foi simples.
Houve obstáculos, contas atrasadas e momentos de incerteza. Entretanto, o artista afirma não se arrepender da decisão.
As experiências anteriores deram a ele maturidade, resistência e capacidade para conduzir melhor a própria carreira.
“A gente vai criando casca, ganhando experiência e aprendendo novas formas de se conduzir com mais firmeza.”
O nome do projeto surgiu quando as participações realizadas por Sacy começaram a gerar convites para apresentações completas.
Ele percebeu que precisava criar uma identidade artística.
Inicialmente, o projeto seria chamado Samba do Sacy. Entretanto, ao descobrir que já existia um trabalho com nome semelhante em São Paulo, optou por Pagode do Sacy.
A escolha evitou conflitos de identidade e aproximou ainda mais o projeto do gênero que sempre marcou sua trajetória.
“Eu falei: este pagode é meu, então será Pagode do Sacy. A partir daí, criamos essa identidade.”
Ao longo dos anos, o nome ganhou força, conquistou clientes e formou seu próprio público.
Para Sacy, o projeto representa muito mais do que um grupo musical.
“O Pagode do Sacy é meu ganha-pão, minha paixão, minha transformação e uma empresa muito forte.”
A convivência entre os integrantes do Pagode do Sacy vai além das apresentações.
Segundo o líder do grupo, existe amizade, companheirismo e respeito fora dos palcos.
Depois dos shows, os músicos costumam conversar, trocar experiências e participar das tradicionais resenhas.
Essa proximidade ajuda a fortalecer a sintonia artística e a energia apresentada ao público.
Entre as experiências mais marcantes da carreira, Sacy recorda uma apresentação de carnaval realizada no interior de Minas Gerais.
O show reuniu aproximadamente 35 mil pessoas e tornou-se um dos momentos mais importantes de sua trajetória.
“Já tivemos vários shows marcantes, mas aquele foi diferente.”
A presença de uma multidão cantando, dançando e participando da apresentação confirmou a capacidade do artista de estabelecer conexão direta com grandes públicos.
Outro momento inesquecível aconteceu durante uma confraternização de fim de ano organizada para a equipe do cantor Eduardo Costa.
Sacy foi contratado para comandar a apresentação e imaginava que Eduardo Costa apenas acompanharia o evento como anfitrião.
Entretanto, o artista sertanejo subiu ao palco e permaneceu cantando com ele durante quase uma hora.
“Achei que ele não cantaria comigo, mas fez quase uma hora de show. Foi de uma humildade e de uma simplicidade impressionantes.”
Os dois interpretaram diversas músicas, transformando a confraternização em uma experiência inesperada e memorável.
Para Sacy, o encontro foi uma dádiva de Deus e um dos grandes presentes recebidos durante a carreira.
Sacy acredita que o pagode vive um momento de força e expansão.
Na avaliação do artista, o gênero ganhou naturalidade, rompeu barreiras sociais e passou a reunir públicos de diferentes regiões, classes e estilos.
“O pagode aceita todas as tribos. Pode ser a comunidade, pode ser a zona sul, pode ser qualquer pessoa que queira chegar.”
Para ele, a diversidade e a inclusão garantem que o gênero continue avançando.
O surgimento de novos artistas e a renovação musical também contribuem para fortalecer o movimento.
“A evolução bateu à porta. Novos artistas estão chegando e a tendência é o pagode crescer ainda mais.”
Quem acompanha uma apresentação do Pagode do Sacy pode esperar alegria, interatividade, respeito, pontualidade e muito alto astral.
O grupo trabalha com uma base de repertório, mas mantém espaço para os pedidos do público.
Dependendo do perfil do evento, podem ser incorporadas músicas sertanejas, axé e outros estilos, sempre adaptados à linguagem do pagode.
“Cada show é uma situação. Temos uma base, mas sempre abrimos o repertório para o público pedir músicas.”
A preparação envolve organização da equipe, montagem antecipada, aquecimento e análise do público presente.
Esses cuidados permitem que o repertório seja direcionado para o perfil de cada evento.
A música que mais emociona Sacy durante as apresentações é “Espiritual”.
Segundo o cantor, a letra transmite uma mensagem profunda de fé, perseverança e esperança.
A canção fala sobre seguir em frente, afastar a tristeza, acreditar em dias melhores e esperar o momento certo.
“É uma letra muito forte. Fala de perseverança, fé em Deus e da certeza de que a nossa hora vai chegar.”
Outra música que marcou sua vida foi “Faz um Milagre em Mim”, associada a uma experiência pessoal e espiritual importante para o artista.
A fé ocupa um lugar central na vida e na carreira de Sacy.
Antes de cada apresentação, uma oração é indispensável.
“Antes do show não pode faltar uma oração. Pedimos para Deus conduzir tudo, para que seja bom para todos os que estiverem presentes.”
Ao ser perguntado sobre o significado de Deus em sua vida, a resposta foi direta:
“Deus é tudo para mim.”
A família também representa uma das principais bases de sua caminhada.
Sacy demonstra gratidão pelas pessoas que o acompanham e afirma que um de seus maiores sonhos é proporcionar melhores condições para aqueles que ama.
“Ter uma família é uma dádiva de Deus. Sou muito grato pela família que tenho.”
Para quem deseja seguir uma carreira artística, Sacy deixa uma mensagem de preparação, humildade e resistência.
Segundo ele, o caminho exige disposição para enfrentar rejeições e continuar trabalhando até que as oportunidades apareçam.
“É preciso preparar-se para os ‘nãos’, porque uma hora o ‘sim’ vai chegar.”
O cantor também destaca a necessidade de manter Deus no comando, buscar crescimento constante e não abandonar os próprios objetivos.
“Tem que perseverar, ir para cima, manter a humildade e não desistir.”
Entre os palcos que deseja conquistar, o Mineirão, em Belo Horizonte, aparece em primeiro lugar.
Para Sacy, apresentar um grande espetáculo no estádio representaria cantar em casa e concretizar um dos maiores sonhos de sua trajetória.
“Tenho vários palcos dos sonhos, mas o mais marcante seria fazer um grande show no Mineirão, porque é a minha casa.”
Fora da música, Sacy gosta de futebol e da culinária mineira.
Seu prato favorito é frango com quiabo, que considera um dos grandes representantes da cozinha de Minas Gerais.
Entre suas principais qualidades, destaca a perseverança e a fé em dias melhores.
Como defeito, admite ser detalhista em excesso.
Também guarda lembranças especiais de viagens realizadas com a família e amigos, especialmente os períodos prolongados vividos em regiões de praia.
Mais do que alcançar fama, Sacy deseja construir uma relação positiva com o público.
Seu objetivo é ser lembrado como um cantor que levou paz, alegria, respeito, interação e boas energias às pessoas.
“Quero ser lembrado como um cantor que ajudou o público a esquecer um pouco dos problemas e a viver a alegria daquele momento.”
Para ele, a música possui capacidade real de transformar vidas, fortalecer pessoas e transmitir esperança.
“Pagode é vida.”
Deus: tudo.
Família: uma dádiva de Deus.
Música: alegria, interação, superação e perseverança.
Pagode: vida.
Cantor que inspira: Luiz Carlos, do Raça Negra.
Grupo inesquecível: Raça Negra.
Música que marcou sua vida: “Faz um Milagre em Mim”.
Palco dos sonhos: Mineirão.
Uma qualidade: perseverança.
Um defeito: ser detalhista demais.
Um passatempo: futebol.
Prato favorito: frango com quiabo.
O que não pode faltar antes do show: oração.
Maior emoção no palco: ver o público aproveitando intensamente a apresentação.
Como deseja ser lembrado: como um cantor que levou paz, alegria, respeito, positividade e alto astral.
Artista: Gustavo Augusto Gomes dos Santos
Nome artístico: Sacy
Projeto: Pagode do Sacy
Atuação: cantor e líder do grupo
Estilo: pagode, samba e repertório popular adaptado
Redes sociais: @pagodedosacy
Plataformas: Instagram, Facebook, TikTok e Spotify
“É preciso preparar-se para os ‘nãos’, porque uma hora o ‘sim’ vai chegar.”
— Sacy
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