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Divórcio: como recomeçar depois de uma perda tão significativa?

Quando uma história a dois termina, ficam lembranças, perguntas e a difícil tarefa de reconstruir a própria vida

16/09/2026 às 11h56
Por: Josyanne Fonte: Josy Martins
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Divórcio: como recomeçar depois de uma perda tão significativa?

DIVÓRCIO: COMO RECOMEÇAR DEPOIS DE UMA PERDA TÃO SIGNIFICATIVA?

Por Josy Martins — Blog Josy Entre Nós


O divórcio pode ser uma das experiências mais dolorosas da vida.

Mesmo quando o amor já não existe como antes, o fim de um casamento pode deixar a sensação de que perdemos o chão, o rumo e uma parte importante da nossa própria história.

E então surgem as perguntas.

Quando foi que o amor acabou?

Quando foi que paramos de nos abraçar?

Quando os beijos diminuíram?

Quando deixamos de ter tempo de qualidade como casal?

Quando foi que paramos de nos olhar nos olhos com amor?

Quando você deixou de me achar bonita?

Quando eu deixei de admirar você?

Talvez não exista uma única resposta.

Às vezes, o amor não acaba de uma vez.

Ele pode ir se desgastando aos poucos, no silêncio, na rotina, nas palavras que deixaram de ser ditas e nos gestos que deixaram de acontecer.

E quando percebemos, aquilo que parecia tão forte já não é mais suficiente para manter duas pessoas no mesmo caminho.

MAS UM DIA HOUVE AMOR

É importante lembrar que o fim não apaga tudo aquilo que existiu antes.

As fotografias continuam.

As lembranças permanecem.

Os lugares, as músicas, as viagens, os aniversários, os planos e tantas pequenas coisas ficam guardados na memória.

Porque houve felicidade.

Houve amor.

Houve admiração.

Houve paixão.

Houve um momento em que duas pessoas escolheram estar juntas e construíram sonhos.

Por isso, talvez uma das partes mais difíceis do divórcio seja aceitar que uma história pode ter sido verdadeira e importante, mesmo que tenha chegado ao fim.

Nem tudo o que termina foi uma mentira.

Algumas histórias simplesmente cumprem o seu tempo.

UMA PALAVRA PEQUENA, UM PESO ENORME

“Divórcio.”

Uma palavra relativamente simples, mas que pode carregar um peso enorme na vida de muita gente.

Não representa apenas a assinatura de um documento.

Pode representar o fim de uma rotina, de uma casa compartilhada, de projetos construídos durante anos, de hábitos, sonhos e referências.

Em alguns casos, envolve filhos.

Família.

Amigos em comum.

Questões financeiras.

Mudanças de casa.

Reorganização da vida inteira.

Por isso, é natural que exista sofrimento.

Existe um processo de luto.

Não necessariamente pelo falecimento de alguém, mas pelo encerramento de uma relação e de uma vida que havia sido imaginada.

POR QUE PRECISA TERMINAR COM TANTA BRIGA?

Uma coisa que sempre me deixa triste é perceber quantos divórcios terminam cercados de brigas, acusações, ressentimentos e desejo de machucar.

Seria tão bonito se pudéssemos terminar um casamento lembrando de como ele começou.

Com respeito.

Com cuidado.

Com alguma forma de amor.

Porque, afinal, um dia aquelas duas pessoas se escolheram.

Um dia confiaram uma na outra.

Um dia dividiram sonhos.

Mas nem sempre isso é possível.

A dor pode despertar sentimentos muito intensos.

Mágoa.

Raiva.

Ciúme.

Frustração.

Sensação de abandono.

E quando essas emoções dominam as decisões, o fim de uma relação pode se transformar em uma guerra.

Principalmente quando existem filhos, é importante tentar separar o fim da relação conjugal da responsabilidade que continua existindo como pai e mãe.

O casamento pode acabar.

A responsabilidade com os filhos, não.

JUNTANDO OS CACOS

Quando tudo termina, chega uma etapa difícil:

juntar os cacos do divórcio.

Não significa fingir que nada aconteceu.

Não significa apagar o passado.

Também não significa precisar encontrar imediatamente uma nova pessoa.

Recomeçar pode significar simplesmente aprender a viver novamente como indivíduo.

Redescobrir gostos.

Retomar amizades.

Cuidar da saúde.

Refazer planos.

Organizar a vida financeira.

Resgatar a autoestima.

Voltar a olhar para si.

Depois de passar tanto tempo sendo parte de um casal, algumas pessoas precisam reaprender uma pergunta muito importante:

Quem sou eu agora?

NÃO SE CULPE POR TUDO

Quando uma relação termina, é comum procurar culpados.

“Onde eu errei?”

“O que eu poderia ter feito?”

“Por que não percebi antes?”

“Será que eu não fui suficiente?”

Talvez existam erros dos dois lados.

Talvez um tenha errado mais.

Talvez tenham simplesmente seguido caminhos diferentes.

Mas transformar o fim de um relacionamento em uma condenação permanente de si mesma não ajuda a reconstruir a vida.

É importante reconhecer erros e aprender com eles.

Mas também é necessário entender que nenhuma pessoa consegue sustentar sozinha uma relação que precisa de duas.

O PASSADO NÃO PRECISA SER DESTRUÍDO

Algumas pessoas acreditam que, para seguir em frente, precisam transformar toda a história em algo ruim.

Não necessariamente.

Você pode reconhecer:

“Nós fomos felizes.”

“Nós nos amamos.”

“Nós construímos coisas bonitas.”

“Mas terminou.”

Existe maturidade em conseguir reconhecer que uma pessoa fez parte de uma etapa importante da sua vida sem precisar permanecer nela para sempre.

As lembranças não precisam ser inimigas.

Elas podem apenas ocupar o lugar correto: o passado.

RECOMEÇAR NO SEU TEMPO

Não existe prazo para superar um divórcio.

Algumas pessoas conseguem reorganizar a vida mais rapidamente.

Outras precisam de mais tempo.

Cada história tem sua profundidade.

Cada vínculo teve sua intensidade.

Por isso, não aceite cobranças como:

“Você precisa esquecer.”

“Já passou muito tempo.”

“Arruma outra pessoa.”

“Vai viver.”

Recomeçar não é uma corrida.

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É um processo.

E você precisa respeitar o seu tempo.

CUIDAR DE SI TAMBÉM FAZ PARTE

Conversar com pessoas de confiança pode ajudar.

Buscar apoio psicológico também pode ser importante, principalmente quando a tristeza, a culpa, a raiva ou a sensação de vazio começam a ocupar grande parte da vida.

Terapia não é sinal de fraqueza.

Às vezes, precisamos de ajuda para organizar aquilo que sentimos.

Para compreender o que aconteceu.

Para aprender com a experiência.

E para reconstruir nossa identidade depois de uma mudança tão grande.

O FIM TAMBÉM PODE SER UM COMEÇO

Talvez hoje você esteja olhando apenas para aquilo que perdeu.

Isso é compreensível.

Mas, aos poucos, talvez seja possível começar a enxergar também aquilo que ainda pode ser construído.

Novos planos.

Novos sonhos.

Novas experiências.

Uma nova relação consigo mesma.

Talvez um novo amor, quando e se fizer sentido.

O divórcio pode representar o fim de uma história.

Mas não representa o fim da sua vida.

Você continua aqui.

Com sua história.

Com suas experiências.

Com seus aprendizados.

E com a possibilidade de escrever novos capítulos.

Junte os seus cacos com calma.

Alguns podem voltar para o lugar.

Outros talvez não.

E talvez, com aquilo que restou, você construa algo completamente novo.

Mais consciente.

Mais forte.

Mais seu.

— Josy Martins

Josy Entre Nós

Um espaço de conversa, acolhimento, autoestima, recomeços e fortalecimento feminino.

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