
A arte escolheu o Parque do Rio Branco como morada. O Mormaço Cultural 2026 começou neste sábado, 19, e segue até domingo, 20. Durante os três dias, intervenções artísticas tomam conta de diversos cantos do cartão-postal de Boa Vista, com teatro de rua, circo, música e performances que aproximam artistas e público, transformando cada recanto em território de encontro e encantamento.

Estão presentes com essa proposta o JM Jazz Centro de Arte, a Cia Criart Teatral, o Locômbia Teatro de Andanças, o Circo ImaginArte, o Espaço/Cena Comic e a Arena Cultura Urbana: Plugadão. Cada equipe apresenta sua linguagem, seu ritmo e sua poesia, compondo um mosaico que convida quem assiste a caminhar, parar e se envolver.

Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Dyego Monnzaho, o Mormaço valoriza as intervenções artísticas, trazendo diversas linguagens multiculturais, por meio de elementos criativos e da participação da comunidade periférica.
“Esse ano, convidamos ‘Plugadão’, um grupo de periferia, que trabalha ativamente pela cultura urbana. Quando você junta skate, Hip-Hop, MC e batalha de rimas, esse grupo de linguagens vira arte. O skate, por exemplo, deixa de ser esporte e integra ali essa vivência”, disse Dyego.
Há quem enxergue na rua o lugar onde a expressão acontece de verdade, sem barreiras e sem distância. Criado há 40 anos na Colômbia, o grupo teatral Locômbia está há 20 anos fazendo história em Roraima.

Para Beatriz Brooks, uma das fundadoras do Locômbia, o festival é um encontro direto com quem prestigia a arte. “É muito importante ter esse reconhecimento aos artistas, tanto os de fora como os daqui. As pessoas acenam para nós, se divertindo com as apresentações”.

Com a Cena Comic, Danielly Diniz encontrou na arte um lugar de descanso para os problemas com a saúde mental. Para ela, com trabalhos relacionados ao corpo feminino, ocupar o espaço com essas expressões é um gesto político e poético ao mesmo tempo, capaz de transformar a relação das pessoas com o ambiente urbano.
“Foi como se eu tivesse uma certa necessidade de expressar o que eu sentia. E não só isso, mas também o que eu via do mundo. A arte tem me ajudado nesse sentido. Meu trabalho é voltado para representação feminina. E aquelas pinturas, no caso, são feitas em giz pastel oleoso. Como moramos num estado que tem altos índices de violência contra a mulher e criança, esse é um tema que é muito recorrente e muito necessário na minha caminhada enquanto artista”.

Em meio a uma atração e outra, há quem chegue sem roteiro, apenas para sentir o que acontece. Alexandre Tabal observa as apresentações, se deixa envolver pela atmosfera e descobre, a cada passo, uma nova surpresa. Sua experiência mostra como a plateia também constrói o acontecimento com sua presença.
“O Mormaço é aquele espaço que preserva a cultura e, consequentemente, a história de Roraima. Aqui é onde enxergamos as áreas do teatro, da dança, do circo, das danças urbanas, cenário geek, pop, nerd, tudo isso misturado. Conseguimos celebrar os nossos artistas que estão aqui trabalhando arduamente, com honestidade, mostrando a sua arte, o seu empenho e tendo a oportunidade de ver artistas que nós, de outra maneira, não teríamos como enxergar aqui”.
*Supervisionado por Shirleia Rios*
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