
A Prefeitura de Alagoinhas apresentou o Diagnóstico Situacional da Primeira Infância, levantamento que reúne informações sobre a realidade das crianças de zero a seis anos no município e que servirá de base para a construção do Plano Municipal pela Primeira Infância. A iniciativa é parceria com a Petrobras e o Instituto Avante, incluindo a participação de diferentes setores do poder público, instituições e sociedade civil.
O documento foi construído a partir da análise de dados oficiais de bases como IBGE, Censo Escolar, Sinasc, SIM, cobertura vacinal, Sisvan, Cadastro Único e Observatório da Criança. O processo também contou com a escuta participativa de representantes das áreas de saúde, educação, assistência social, proteção, esportes, juventude, conselhos, Conselho Tutelar e famílias. A metodologia combinou evidências quantitativas e qualitativas para identificar potencialidades, desafios e oportunidades para a primeira infância em Alagoinhas.
O levantamento aponta que Alagoinhas possui 11.948 crianças de até seis anos incompletos, o equivalente a 7,4% da população. Desse total, 65% estão inscritas no Cadastro Único. Na educação infantil, o município conta com 51 creches e 93 pré-escolas. O estudo chama atenção também para a distribuição territorial da oferta educacional, com 90% das creches e 70% das pré-escolas concentradas na área urbana. Em 2024, foram registradas 1.650 matrículas em creches e 3.385 na pré-escola.
O diagnóstico identifica ainda pontos relacionados à infraestrutura, composição das turmas, formação dos profissionais e desigualdades entre as áreas urbana e rural.
Cuidado e bem-estar
Na saúde, o levantamento registra avanços no acompanhamento pré-natal. A cobertura de gestantes com sete ou mais consultas passou de 73%, em 2022, para 77%, em 2025. A mortalidade neonatal também apresentou redução, caindo de 13,4 óbitos por mil nascidos vivos em 2023, para 8,8 em 2025. Ao mesmo tempo, alguns desafios ainda permanecem, entre os quais: a redução da cobertura vacinal da maioria dos imunizantes (entre 2023 e 2025) e a necessidade de ampliar o acompanhamento nutricional das crianças.
A assistência social também aparece como uma das áreas fundamentais para a garantia dos direitos na primeira infância. O município possui cinco CRAS, um CREAS e equipes multiprofissionais, além de serviços como PAIF, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e o Serviço Primeira Infância no SUAS/Criança Feliz. O diagnóstico também registra ações voltadas à proteção de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade e violação de direitos.
Construção coletiva
Os encontros do Comitê pela Primeira Infância de Alagoinhas são realizados semanalmente e reúnem profissionais que conciliam as atividades de suas respectivas áreas com a construção das políticas voltadas à primeira infância no município. A proposta parte do entendimento de que os primeiros seis anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional.
A coordenadora geral do Projeto Primeira Infância Cidadã, do Instituto Avante, Ana Burato, destacou a importância de trazer a discussão para o âmbito municipal. “O que pode acontecer de mais importante dentro da Avante é aquilo que fazemos nos campos, nos municípios, porque a transformação acontece onde o cidadão nasce, vive e mora. Estamos seguindo esse processo, cumprindo também a nossa missão enquanto organização social”, explicou.
Para a secretária municipal de Educação, Rita Bastos, o diagnóstico permite compreender a realidade local e orientar as próximas etapas de elaboração do plano. “Quando assumimos esse compromisso com a Primeira Infância Cidadã, assumimos, sobretudo a escolha de olhar para todas as crianças pequenas como sujeitos de direitos e com prioridade absoluta na nossa ação de governo. O diagnóstico é um retrato da nossa realidade, e não deve ser visto como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida para a continuidade desse trabalho”, disse.
O Superintendente de Participação Popular, Tárcio Mota, ressaltou a importância da participação na construção de políticas públicas que estejam conectadas à realidade do município. “Quando diferentes setores se reúnem para compreender a realidade das crianças e das famílias, conseguimos construir uma visão mais ampla da cidade e das suas necessidades”, afirmou.
Para a secretária de Desenvolvimento Social, Lianne Carmo, a construção coletiva reforça que o cuidado com as crianças deve ser uma responsabilidade compartilhada. “As vulnerabilidades econômicas e sociais das famílias impactam diretamente a vida e o desenvolvimento das nossas crianças, por isso precisamos olhar para elas de forma integral, garantindo direitos também às suas famílias. Esse diagnóstico nos oferece um verdadeiro raio-X da nossa realidade e vai nos ajudar a construir políticas públicas mais efetivas, articuladas com a saúde, a educação, a assistência social e toda a rede de proteção”, concluiu.
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