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Alimentação nos primeiros 24 meses afeta desenvolvimento

De acordo com o gastroenterologista pediátrico Mário C. Vieira, o diagnóstico precoce e o acompanhamento individualizado ajudam a evitar restrições...

15/07/2026 às 09h28
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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A alimentação nos primeiros dois anos de vida exerce papel essencial no crescimento, no desenvolvimento cognitivo e na formação do sistema imunológico das crianças. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, o leite materno é a principal recomendação para essa fase por fornecer todos os nutrientes necessários ao bebê e contribuir para a proteção contra diversas doenças. Entretanto, existem situações específicas em que o aleitamento materno não é possível ou precisa ser complementado com alternativas adequadas.

Entre as condições que podem interferir na alimentação infantil está a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), considerada uma das alergias alimentares mais frequentes na primeira infância. Estima-se que a APLV acometa entre 2% e 5% dos lactentes, segundo revisão publicada por Bocquet et al. (2019). A condição pode comprometer a qualidade de vida das crianças e de suas família, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento adequado são retardados.

"Quando um bebê apresenta sintomas como regurgitação recorrente, irritabilidade, choro excessivo ou outros sinais sugestivos, é fundamental uma avaliação cuidadosa. Em casos selecionados, pode ser indicada uma dieta de exclusão da proteína do leite de vaca. Para mães que amamentam e quando houver suspeita de APLV no lactente, a retirada de leite e derivados da dieta materna deve ser realizada apenas com orientação profissional, garantindo a adequada reposição nutricional da mãe", explica o Dr. Mário C. Vieira, mestre e doutor em Medicina Interna pela Universidade Federal do Paraná e especialista em gastroenterologia pediátrica pela St. Bartholomew’s Hospital Medical College, Universidade de Londres.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento individualizado são fundamentais para evitar restrições alimentares desnecessárias e assegurar que a criança receba todos os nutrientes necessários para seu crescimento e desenvolvimento. Como cada caso apresenta características próprias, a abordagem deve considerar a história clínica, os sintomas e a resposta às intervenções propostas.

Em 2024, a European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition (ESPGHAN) publicou uma atualização abrangente sobre diagnóstico, manejo e prevenção da APLV. O documento reforça que a identificação da doença deve ser baseada principalmente na avaliação clínica, evitando diagnósticos excessivos e intervenções sem indicação adequada.

Embora o aleitamento materno seja sempre a primeira escolha, existem situações em que ele não é possível. Nesses casos, é essencial que pais e cuidadores reconheçam sinais de alerta e busquem orientação de profissionais capacitados. "O acompanhamento individualizado é a melhor forma de garantir que cada criança receba o cuidado mais adequado às suas necessidades, com segurança e respeito às particularidades de cada família", afirma Tamara Lazarini, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN).

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