
Agência Assembleia
O programa ‘Saúde e Bem-Estar’, da Rádio Assembleia (96,9 FM), abordou, nesta quarta-feira (28), a importância do rastreamento do câncer de mama e das estratégias para o diagnóstico precoce da doença. As radialistas Marina Sousa e Leda Lima conversaram com a médica radiologista Rafaela de Castro Tiberio, especialista em diagnóstico por imagem da mulher.
Durante a entrevista, a médica explicou que a mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama, permitindo identificar alterações suspeitas antes mesmo do aparecimento de sintomas.
Ela também destacou a importância de observar as recomendações médicas e considerar fatores como idade, histórico familiar e predisposição genética na definição da periodicidade dos exames.
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o rastreamento populacional pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é recomendado para mulheres de 50 a 74 anos, com realização de mamografia a cada dois anos.
Na faixa etária de 40 a 49 anos, o acesso ao exame é garantido mediante solicitação da própria paciente ou indicação médica. Acima dos 74 anos, a decisão deve ser individualizada, considerando as condições gerais de saúde.
A especialista também apresentou as recomendações de entidades médicas, como a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), que orientam a realização anual da mamografia entre os 40 e 74 anos.
Cuidados a serem considerados
Após essa idade, a continuidade do rastreamento deve considerar a expectativa de vida e as condições clínicas da paciente.
Outro ponto abordado foi o acompanhamento de mulheres com maior risco de desenvolver a doença. Pacientes com mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2, ou histórico familiar significativo de câncer de mama podem precisar iniciar o rastreamento mais cedo, geralmente a partir dos 30 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar mais jovem recebeu o diagnóstico.
Nesses casos, a avaliação médica pode indicar exames complementares, como ressonância magnética e ultrassonografia das mamas. Rafaela de Castro Tiberio ressaltou ainda a importância de reconhecer alterações que possam indicar a presença da doença.
Sinais de alerta
Entre os sinais de alerta estão nódulos endurecidos ou em crescimento, saída de secreção sanguinolenta por um dos mamilos, retração da pele ou do mamilo, vermelhidão persistente, alterações na textura da pele, com aspecto semelhante à casca de laranja, e aumento progressivo da mama acompanhado de inchaço.
A médica disse que a presença de nódulos nas axilas, inflamações que não melhoram com o tratamento adequado e tumorações em uma das mamas em homens também exige investigação médica.
“Diante desses sinais, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação e, se necessário, encaminhamento para exames específicos”, advertiu.
Diagnóstico precoce
A médica enfatizou que o diagnóstico precoce é fundamental para identificar a doença em estágios iniciais e ampliar as possibilidades de tratamento.
“Para isso, além da realização dos exames recomendados, é essencial garantir que as mulheres tenham acesso oportuno aos serviços de saúde para investigar alterações suspeitas”, complementou.
Rafaela de Castro Tiberio é titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e possui especialização em radiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/HCFMUSP), além de subespecialização em imagem da mulher pela Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Também tem MBA em gestão de clínicas e hospitais na área de medicina diagnóstica, pelo CBR em parceria com a FIA, e atua no diagnóstico por imagem de doenças que acometem as mulheres, incluindo câncer de mama e endometriose.
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