
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), e o Sindicato das Indústrias Minerais do Pará (Simineral), apresentaram, nesta terça-feira (20), em Belém, o inédito Relatório ESG Setorial, fruto do pacto acordado pela Carta Santarém. A iniciativa reúne mais de 40 indicadores socioambientais que abrangem 90% da produção mineral paraense, estabelecendo uma base de dados pública para fortalecer a governança e o controle social na Amazônia.
Efeito de compromissos, firmados em Santarém, a publicação consolida a liderança da Semas no aprimoramento do licenciamento ambiental, a transparência e a inovação na indústria extrativa. O movimento projeta o Pará na vanguarda da implementação de ações de sustentabilidade e de transição energética.
Para a Semas, a consolidação desses indicadores é essencial para separar as empresas comprometidas com a conformidade ambiental das práticas ilegais e irregulares no território paraense. O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth, ressalta que o avanço da agenda ambiental do Pará exige dados públicos e auditáveis.
"O ponto principal é a separação do setor que trabalha com conformidade e qualidade ambiental, da mineração irregular e ilegal. Este relatório engloba 90% da produção do Pará e cria uma base de referência para que a própria sociedade paraense possa acompanhar e cobrar a evolução anual de parâmetros como uso da água, restauração florestal e matriz energética. Esses dados precisam dar transparência e servir diretamente à sociedade do Pará", ressaltou Rodolpho.
Inovação e compensação socioambiental
O secretário Rodolpho Zahluth destacou que a atuação da secretaria tem direcionado o setor para práticas inovadoras de economia circular e mitigação de impactos na fauna e flora da região.
"Estamos acompanhando de perto a evolução de tecnologias como o empilhamento a seco de rejeitos, eliminando barragens, o reúso de resíduos na construção civil e o investimento em biomassa energética. Além disso, a Semas tem orientado compensações mais assertivas, como o apoio a centros de conservação da fauna e o fomento à meliponicultura — a criação de abelhas nativas, que acelera a restauração florestal e gera renda para as comunidades locais. O minério não muda de lugar, por isso exigimos que as medidas mitigadoras devolvam à sociedade um impacto real e positivo", destacou.
Projeção internacional da mineração paraense
O protagonismo da Semas e a construção conjunta da Carta Santarém posicionam o Pará como modelo de gestão pública ambiental, atraindo investimentos qualificados. O presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, enfatizou o caráter histórico do levantamento e revelou os próximos passos da agenda internacional.
"É um trabalho de muito orgulho e inédito na Amazônia. Pela primeira vez, reunimos mais de 40 indicadores de sustentabilidade para transformar dados da mineração em informação acessível para a sociedade. A Carta Santarém nasceu desse compromisso público de transparência. Além de disponibilizar o relatório no nosso site, levaremos esse modelo para a Europa na próxima semana, durante evento na Suíça, mostrando ao mundo e aos investidores internacionais que no Pará é possível realizar uma mineração responsável, segura e sustentável", enfatizou Emerson.
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