
Na noite do último sábado, 17, o Reisado São José percorreu os espaços da Vila da Criança, na Orla da Atalaia, em uma apresentação que reuniu música, dança, indumentárias coloridas e personagens do folclore sergipano. Crianças e famílias que aproveitavam os brinquedos e as áreas temáticas acompanharam a passagem do grupo, em um encontro com uma manifestação cultural transmitida entre gerações. A programação é promovida pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap).
Novidade na programação da Vila, os cortejos folclóricos acontecem aos sábados e domingos, sempre às 19h, levando grupos tradicionais para os espaços de circulação do evento. A proposta é aproximar o público das manifestações populares em meio às atividades de lazer, criando oportunidades para que crianças e adultos conheçam de perto expressões que integram a história e a identidade cultural do estado.
O Reisado São José é do povoado São José, em Japaratuba, e tem à frente a mestra Marilene, reconhecida como Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana pelo Programa de Registro de Patrimônio Vivo, conhecido como Lei dos Mestres. Com cantos, danças, figurinos coloridos e personagens característicos, o reisado reúne elementos da tradição popular e mantém uma brincadeira coletiva que atravessa gerações.
Uma tradição que se renova
A trajetória do grupo é marcada por retomadas e pela formação de novos brincantes. A manifestação havia deixado de ser realizada na comunidade e voltou a ganhar vida a partir de uma atividade escolar. Desde então, o Reisado São José soma 26 anos de resgate e continuidade. Mais recentemente, Marilene também criou um grupo mirim, ampliando a participação das crianças e abrindo espaço para uma nova geração de brincantes.
“A gente trabalhava numa escola e esse reisado já tinha acabado havia muitos anos. Um professor fez uma gincana falando sobre o reisado, e dali veio o incentivo para resgatar. Compramos tecido fiado para fazer as roupas e começamos. Era quase uma brincadeira nesse tempo, uma forma de a gente ter para onde ir. Agora já são 26 anos de resgate. Depois veio o convite para eu dar uma oficina com 16 meninas, e foi dali que nasceu o reisado mirim, numa hora em que o nosso reisado estava acabando outra vez. Eu até chorei de emoção, porque pensei que Deus tinha mandado aqueles anjos para me salvar. Hoje elas estão aí, e depois que me tornei patrimônio vivo, melhorou tudo, são muitos convites para brincar”, contou a mestra Marilene.
Integrante do grupo desde os oito anos, Manuela Silva dos Santos, hoje com 17, também participou do cortejo. Para ela, o contato com as manifestações populares desde a infância ajuda a construir vínculos com a cultura e a manter o interesse das novas gerações. “É muito importante que as crianças tenham esse contato com a cultura desde pequenas, para que saibam o valor que ela tem na vida de uma pessoa. Hoje existe muita coisa disputando a atenção da nova geração, e um cortejo como esse ajuda a despertar o interesse pelas raízes. Eu entrei com oito anos, danço desde pequena e sou apaixonada por isso. Foi uma honra ver esse reisado sendo recriado, porque manter um grupo é um investimento de tempo e de dinheiro, e ser chamada para se apresentar aqui foi uma grande oportunidade de mostrar as nossas brincadeiras e de sair da invisibilidade”, afirmou.
Público aprova
A passagem do Reisado São José também chamou a atenção de quem visitava a Vila da Criança. Moradora de Aracaju, Viviane Dantas levou os sobrinhos Oliver e Clarissa para aproveitar a programação e acompanhou a apresentação durante o passeio. “Meus sobrinhos aproveitaram a noite e se divertiram bastante, e ainda vimos a apresentação do reisado, prestigiando a nossa cultura. Todo mundo estava empolgado, foi divertido e contagiante. Acho importante que as crianças venham prestigiar e que os pais tragam, que a família sergipana esteja com o olhar voltado para o que enriquece a nossa cultura”, disse.
Professora de música e maestrina do Coral Notas de Sabedoria, da Escola de Artes Valdice Teles, Clara Raquel reconheceu o grupo assim que o cortejo começou e parou para assistir. “Eu já via o grupo se apresentando em Japaratuba e sou casada com um japaratubense, então, quando chegamos aqui e vimos o reisado de lá, a gente parou. Quando eu era criança, participava da escola de artes da prefeitura de Aracaju e sempre assisti a esses grupos. O resultado é que me formei em música, fiz concurso e hoje trabalho na escola de artes. Estou vendo muita gente nova no grupo, e isso é a certeza de continuidade do trabalho da cultura de Japaratuba, que agora vem mostrar aqui na capital”, contou.
Programação de cortejos
A programação de cortejos continua neste domingo, 18, às 19h, com o Cacumbi de Mestre Deca, de Laranjeiras. De matriz africana, o folguedo reúne canto, dança e percussão, além de indumentárias e personagens próprios da manifestação.
Vila da Criança
A Vila da Criança 2026 é uma realização do Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), com o apoio da Energisa, Netiz, Iguá e Deso.







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