
“Tive melhora da dor no mesmo dia que realizei o procedimento.” O relato do autônomo Regivan de Souza Bastos revela o significado de um avanço tecnológico na vida de quem busca recuperar os movimentos e retomar a rotina. Paciente do Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), ele encontrou na terapia por ondas de choque uma nova possibilidade de tratamento. Sua experiência integra as histórias de recuperação que marcam os cinco anos da atual gestão na unidade.
Entre outubro de 2021 e outubro de 2026, o Galileu contabilizou 1.007.783 atendimentos e procedimentos, consolidando sua contribuição para a assistência especializada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Pará. O balanço reúne 15.279 internações, 82.886 atendimentos ambulatoriais e 21.188 cirurgias, além de 499.913 atendimentos multiprofissionais, que apoiam o cuidado e a recuperação dos pacientes. A unidade também realizou 152.896 exames de imagem e 235.621 procedimentos de apoio diagnóstico e terapêutico (SADT), compondo uma assistência que abrange a investigação diagnóstica, o tratamento cirúrgico e o acompanhamento multiprofissional.
Estratégia
Estratégico para a rede estadual de saúde, o Galileu tem capacidade de receber pacientes regulados dos 144 municípios do Pará, oferecendo assistência cirúrgica especializada, integralmente pelo SUS. Ao longo desses cinco anos, o HPEG reuniu organização dos serviços, incorporação de tecnologias, desenvolvimento das equipes e 2.255 ações de humanização, com a manutenção da acreditação ONA Nível 3 - Acreditado com Excelência, o nível máximo da certificação.
Para a diretora executiva do HPEG, Paula Narjara, a principal transformação do período foi a consolidação de um modelo de governança corporativa e clínica, com maior participação das lideranças nas decisões e no acompanhamento dos resultados.
“Investimos no desenvolvimento das lideranças, promovendo uma cultura de responsabilidade compartilhada, gestão baseada em evidências e melhoria contínua. Hoje, o hospital trabalha com três linhas de cuidado estruturadas - Ortopédica, Urológica e Torácica -, com jornadas assistenciais monitoradas e gerenciadas de forma integrada pelas equipes”, explica.
Essa organização também se reflete no Plano Terapêutico Individualizado (PTI), utilizado para todos os pacientes. O instrumento orienta a assistência conforme as necessidades de cada pessoa, do acolhimento à alta, articulando o trabalho dos diferentes profissionais envolvidos na recuperação.
Segundo Paula, a maturidade desse modelo contribuiu para a manutenção da ONA 3. “Essa maturidade de gestão contribuiu para a manutenção da Acreditação ONA Nível 3 – Acreditado com Excelência, demonstrando que é possível oferecer assistência altamente especializada e gestão de excelência em um hospital 100% SUS”, afirma.
Outro resultado é a favorabilidade de 99% na Pesquisa de Experiência do Paciente, realizada com instrumento adaptado da metodologia internacional HCAHPS, que avalia a percepção dos usuários sobre diferentes etapas da assistência. O levantamento é distinto da pesquisa de satisfação conduzida pelo Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU).
Tecnologia
Na assistência especializada, destacam-se as cirurgias de traqueia, o serviço de alongamento ósseo e os procedimentos urológicos. Para se ter uma dimensão, desde 2021, o Programa de Traqueoplastia contabiliza mais de 1,1 mil consultas e mais de mil cirurgias.
A iniciativa atende pacientes que necessitam de acompanhamento especializado para doenças e lesões complexas das vias aéreas. E um deles é Thiago Victor, 37 anos, morador de Ananindeua, que sofreu um grave acidente automobilístico. Durante o tratamento, ele precisou permanecer entubado por alguns dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, posteriormente, iniciou um longo acompanhamento até ser submetido à traqueoplastia no Hospital Galileu.
“Depois de tantos anos de tratamento, receber a alta foi uma felicidade muito grande. Hoje consigo levar uma vida normal, e isso representa muito para mim e para minha família. Sou muito grato a todos os profissionais do Galileu, que estiveram ao meu lado durante esse processo, sempre com dedicação, cuidado e atenção. Cada etapa valeu a pena, e só tenho a agradecer por tudo o que fizeram por mim. Hoje posso dizer que ganhei uma nova oportunidade de viver com mais tranquilidade e qualidade de vida”, afirmou Thiago.
O cirurgião torácico do HPEG Ajalce Leão Janahú lembra com carinho a trajetória do paciente. “O Thiago Victor é um paciente muito emblemático para nós. Ele iniciou o acompanhamento no primeiro dia de funcionamento do programa e recebeu alta em maio deste ano, após quase dez anos de tratamento. Durante esse período, conheceu profundamente a nossa equipe, o hospital e todos os fluxos de atendimento. Hoje, apesar de ainda apresentar a voz rouca, ele consegue se comunicar, inclusive por telefone, e tem um testemunho muito importante sobre toda essa trajetória”, destacou o especialista.
Ortopedia
Ao longo desses cinco anos, a diretora executiva destaca que na ortopedia, a incorporação da terapia por ondas de choque ampliou as possibilidades de tratamento de determinadas condições musculoesqueléticas, especialmente tendinopatias crônicas.
Para o médico ortopedista Marcelo Nascimento Barros, a oferta da tecnologia representa um avanço importante na rede pública. “É uma melhoria significativa na assistência ao paciente. Trata-se de um tratamento de Medicina Regenerativa, que utiliza tecnologia de ponta aplicada à fisiologia óssea”, explica.
A tecnologia utiliza ondas acústicas para estimular a reparação dos tecidos e pode contribuir para reduzir a dor e melhorar a função. Em casos selecionados, também pode representar uma alternativa à intervenção cirúrgica.
Ainda de acordo com Paula Narjara, a consolidação dos serviços especializados fortalece a capacidade de resposta da rede estadual e contribui para reduzir a necessidade de deslocamentos para outros estados em busca de assistência.
Humanização presente na internação
As 2.255 ações de humanização realizadas no período levaram atividades de acolhimento, educação em saúde e momentos de descontração aos pacientes. “Entre consultas, procedimentos e dias de internação, essas iniciativas ajudam a tornar a experiência hospitalar mais próxima e acolhedora”, explica a coordenadora de Humanização, Anny Segóvia.
O barbeiro Tiago Vinicius, morador de Belém, participou da visita do palhaço Tio Bala, que levou humor, interação e descontração à rotina dos pacientes internados. Na ocasião, estava internado devido a um acidente de motocicleta e encontrou na programação uma oportunidade de aliviar a tensão do tratamento. “Foi legal, a gente passa vários dias focado no tratamento, então ter um momento de brincadeira e dar risada faz diferença. Deixa o dia mais leve e anima a gente”, contou.
Já a pedagoga Janiele Silva Alves, de 34 anos, também vivenciou esse cuidado durante a internação para reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). “Quando estamos internados, qualquer coisa que nos faça sorrir muda o nosso dia. Foi muito divertido, trouxe alegria e fez a gente se sentir ainda mais acolhida”, destacou.
Integração com a rede estadual
A organização do acesso também compõe os avanços da gestão. O Núcleo Interno de Regulação (NIR) atua em articulação com a Regulação Estadual e trabalha com prazo de resposta de até duas horas às solicitações recebidas, contribuindo para a gestão dos leitos e a continuidade da assistência.
Internamente, o acompanhamento dos indicadores e das jornadas dos pacientes permite identificar riscos, antecipar necessidades e aperfeiçoar os fluxos hospitalares. “Na gestão hospitalar, cada hora importa: uma resposta regulatória ágil, um leito bem gerenciado e uma jornada assistencial organizada representam oportunidades concretas de ampliar o acesso ao SUS”, ressalta Paula Narjara.
Texto: Ascom / HPEG
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