
O futebol reuniu atletas, torcedores e representantes de comunidades quilombolas de Sergipe no último sábado, 10 de outubro, em Lagarto, durante as disputas finais da categoria masculina da 2ª Copa Sergipana Quilombola de Futebol. Na decisão, realizada no Estádio Paulo Barreto, o quilombo Mocambo, de Porto da Folha, conquistou o título, enquanto a equipe do Mussuca de Laranjeiras ficou com o vice-campeonato. Promovida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Seel) e da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), a competição teve início em 29 de setembro e, neste ano, passou a integrar a programação oficial da 2ª Copa Serigy de Futebol Amador.
A competição reuniu representantes de sete comunidades quilombolas sergipanas: Mocambo, de Porto da Folha; Mussuca, de Laranjeiras; Cantagalo e Terra Dura/Coqueiral, de Capela; Serra da Guia, de Poço Redondo; Sítio Alto, de Simão Dias; e Bongue, de Ilha das Flores.
Para a secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, a Copa Quilombola é uma oportunidade de reconhecer a importância das comunidades tradicionais e incentivar a convivência entre diferentes gerações. “Quando promovemos iniciativas como essa, valorizamos não apenas o esporte, mas também a história, a cultura e a identidade dos povos quilombolas. É uma forma de fortalecer os laços entre as comunidades, incentivar a participação dos jovens e manter vivas tradições que precisam ser conhecidas e respeitadas pelas próximas gerações”, destaca.
O papel do esporte na integração entre as comunidades e na ampliação das oportunidades para os atletas quilombolas foi ressaltado pelo secretário de Estado do Esporte e Lazer, Flávio de Oliveira. “O futebol tem essa capacidade de aproximar pessoas e comunidades. A Copa Quilombola cria um espaço para que esses atletas mostrem seu talento, representem seus territórios e vivenciem a competição esportiva. Nosso objetivo é que a iniciativa continue crescendo e que cada vez mais comunidades possam participar”, afirma.
Antes da decisão masculina, a programação contou com as partidas das semifinais, que definiram os finalistas. Além da disputa pelo título, a Copa Quilombola proporciona o encontro entre comunidades de diferentes municípios e amplia a participação dos quilombos sergipanos no esporte.
A conquista do Mocambo foi marcada pela emoção das cobranças de pênaltis alternados, que mantiveram jogadores e torcedores em clima de expectativa até o último chute. O formato, adotado após a igualdade no tempo regulamentar e o empate nas cobranças iniciais, reforçou o caráter competitivo da Copa Quilombola, valorizando a determinação das equipes e a força do futebol como expressão de identidade, união e pertencimento das comunidades quilombolas.
A definição também marca a continuidade de uma trajetória iniciada na primeira edição do torneio, em 2024, quando o Mussuca foi campeão masculino. Naquele ano, as equipes masculina do Mussuca e feminina do Mocambo representaram Sergipe na Copa Nacional Quilombola de Futebol, realizada no Rio de Janeiro.
A competição estadual tem entre suas premiações troféus, medalhas e a vaga para disputar a Copa Nacional Quilombola de Futebol de 2026, cuja fase final será realizada em Recife, Pernambuco, de 17 a 20 de dezembro. A classificação representa a oportunidade de levar o nome de Sergipe a uma competição nacional e ampliar a participação dos atletas quilombolas em outros espaços esportivos.
Final feminina
A programação da Copa Quilombola continua na terça-feira, 13 de outubro, com a decisão da categoria feminina. Mocambo, de Porto da Folha, e Mussuca de Laranjeiras entram em campo às 19h, no Estádio Editon Oliveira da Silva, em Nossa Senhora da Glória, para definir o título.
A final coloca frente a frente duas equipes que já representaram Sergipe na edição nacional de 2024, reforçando a participação feminina no futebol quilombola e a presença das mulheres nas competições esportivas do estado.
Futebol, identidade e integração entre comunidades
A Copa Quilombola tem um significado que ultrapassa as quatro linhas. A participação no torneio permite que atletas e torcedores compartilhem experiências, fortaleçam os vínculos entre comunidades e mantenham viva a relação das novas gerações com suas origens.
A torcedora Isabella Alves, da comunidade Serra da Guia, destaca a importância de acompanhar a competição e ver os quilombos reunidos em torno do futebol. “É muito bom ver as comunidades participando, torcendo e se encontrando por meio do esporte. A Copa é uma oportunidade para a gente se conhecer melhor, valorizar nossa história e mostrar que os quilombos têm muito a contribuir. Espero que essa iniciativa continue por muitos anos e que as crianças e os jovens também possam viver essa experiência”, afirma Isabella.
O técnico Abel Sobrinho, responsável pela equipe masculina campeã do Mocambo, ressalta o trabalho coletivo que levou o time à conquista. “Esse título é resultado do esforço dos jogadores, da dedicação nos treinos e da união do grupo. Representar o Mocambo é uma responsabilidade muito grande, porque não estamos jogando apenas por nós, mas por toda a nossa comunidade. Agora, queremos nos preparar para representar Sergipe na competição nacional”, destaca Abel.
Pelo lado do Mussuca, o jogador Genilton dos Santos, o Jojoba, enfatiza a importância da continuidade do torneio para os atletas quilombolas. “Para nós, é uma satisfação participar de uma competição que dá visibilidade às nossas comunidades. O futebol aproxima os quilombos e permite que os jogadores mostrem seu talento. Ganhar é importante, mas também é importante fazer parte dessa história e deixar esse exemplo para os mais novos”, afirma o jogador.
O vendedor ambulante José Milton, que acompanhou a movimentação durante a competição, também destaca a participação do público e a importância de eventos que reúnem diferentes comunidades. “É uma oportunidade de encontrar pessoas de vários lugares, acompanhar os jogos e participar desse movimento. O futebol reúne as famílias, movimenta a cidade e cria momentos que ficam na memória. É importante que essa competição continue e que outras gerações possam participar também”, comenta.
Sergipe conta com 43 comunidades quilombolas, além de outras duas em processo de reconhecimento, o que revela a diversidade e a riqueza histórica e cultural desses territórios. Ampliar a participação dessas comunidades na Copa Quilombola é também uma forma de fortalecer os vínculos entre elas, valorizar suas identidades e criar oportunidades de encontro por meio do esporte. Embora a distância, os deslocamentos e as condições necessárias para participar de uma competição possam representar desafios para algumas comunidades, a expectativa é que, a cada edição, mais quilombos possam integrar o torneio, até que o futebol se torne um espaço de encontro ainda maior entre essas histórias, gerações e tradições.
A 2ª Copa Sergipana Quilombola de Futebol segue, assim, com a decisão feminina e a expectativa pela definição da equipe que representará Sergipe na etapa nacional, levando consigo não apenas o resultado esportivo, mas também a identidade e a história de sua comunidade.











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