
Agência Assembleia
Respirar pela boca, roncar durante a noite ou ter dificuldades para dormir podem parecer situações comuns, mas também podem estar relacionados a alterações que afetam a saúde e a qualidade de vida. O assunto foi discutido no programa ‘Saúde e Bem-Estar’, da Rádio Assembleia (96.9 FM), desta quarta-feira (7), que recebeu a cirurgiã-dentista Cristiane Leal.
Em conversa com a radialista Marina Sousa, a especialista em ortodontia explicou que a avaliação odontológica atualmente vai além da posição dos dentes. “O profissional deve observar também aspectos funcionais, como a forma de respirar, dormir, mastigar e realizar a deglutição, além da maneira como a pessoa mantém a boca e a relação dessas funções com a face”.
Segundo ela, respirar pela boca ocasionalmente, como durante um quadro de gripe, não significa necessariamente que exista algum problema. No entanto, quando a pessoa permanece frequentemente com a boca aberta e respira pela boca, é importante investigar as causas, que podem estar relacionadas, por exemplo, a alterações nas amígdalas ou adenoides.
“O ronco também é um sinal que merece atenção. Roncar não significa necessariamente ter apneia do sono, mas o problema pode estar associado a dificuldades respiratórias. A apneia ocorre quando há interrupções totais ou parciais da respiração e pode trazer consequências para a saúde de adultos e crianças”, acrescentou Cristiane Leal.
Entre as possibilidades de tratamento para determinados casos de apneia estão os aparelhos intraorais de avanço mandibular. “O dispositivo posiciona a mandíbula mais à frente, contribuindo para a desobstrução da via aérea na região posterior da boca. A indicação, porém, depende da avaliação individual de cada paciente e do tipo de apneia apresentado”, destacou.
A cirurgiã-dentista também pontuou as diferenças entre o aparelho intraoral e o CPAP, equipamento que fornece fluxo contínuo de ar para ajudar a manter a via aérea aberta durante o sono. Embora alguns pacientes possam se beneficiar do aparelho intraoral, outros necessitam do CPAP, reforçando a importância de uma avaliação adequada antes da escolha do tratamento.
Para a especialista, alterações na respiração e no sono não devem ser analisadas de forma isolada. “A integração entre diferentes áreas da saúde e uma avaliação individualizada são importantes para identificar possíveis alterações e definir o acompanhamento mais adequado para cada pessoa”, concluiu.
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