
O tablado do Boa Vista Junina 2026 foi tomado por passos, fitas coloridas e muita emoção na noite desta terça-feira, 16. As quadrilhas Xameguinho (grupo infantil) e a do projeto social Conviver, transformaram a apresentação em um espetáculo de memória afetiva que aqueceu o coração do público na Praça Fábio Marques Paracat.
Há mais de duas décadas, a Xameguinho escreve uma história de amor com o São João. Nascida no ano 2000, no bairro Cidade Satélite, a quadrilha é um abraço coletivo de crianças que descobriram na dança um jeito doce de manter viva a nossa cultura.
Este ano, o grupo revisitou as memórias afetivas de gerações com o tema "As canções dos nossos pais", apresentando "Olha pro Céu", eternizada por Elba Ramalho, "Cowboy Fora da Lei", "O Carimbador Maluco", de Raul Seixas, e outros clássicos de Mamonas Assassinas e Legião Urbana, provando que certas melodias nunca envelhecem quando embalam corações pequeninos.

O coordenador-geral da Xameguinho, Sabá Moura, dedica quase 40 anos à cultura junina e encontrou nas crianças a verdadeira emoção do São João. Para ele, as dinâmicas com elas são mais emocionantes.
"Essa quadrilha é a primeira que cantou no tablado, as adultas não cantavam, só tiveram a iniciativa depois da gente. Eu acho interessante quando chegamos com algum tipo de inovação. Nós utilizamos Raul, Mamonas, Legião. Lógico que dá um trabalho para regravar, você tem que ter um investimento, mas o resultado para mim vale tudo, é maravilhoso e demos conta do recado", destacou.

Aos 12 anos, a integrante da Xameguinho, Nicoly Vitória, descobriu na dança um refúgio colorido que a cada passo no tablado é também um pulinho de coragem. "Eu danço desde 2023 e é muito legal. Aproveito para praticar exercícios físicos. Os ensaios são bem corridos e na hora da apresentação dá um nervosismo. É bacana a experiência de estar aqui, dançar para o público, interagir com os colegas", disse.
Projeto Conviver
Continuando com a noite de festas, a quadrilha do Projeto Social Conviver, da Prefeitura de Boa Vista, abordou sua história com 23 crianças dançando ao som de "Festa do Estica e Puxa" e "Lua de Cristal", da Xuxa. O educador social Lucas Sampaio falou do espetáculo como quem planeja um livro de sonhos feito com carinho.
"Essa experiência, mais uma vez, foi incrível, foi demais. Os meninos são muito fortes no que eles fazem, eles conseguiram trazer uma emoção linda para este São João novamente. Porque o ano passado foi lindo, mas este ano, acho que eles se superaram ainda mais", frisou.

A narrativa criada pelo grupo convida o público a refletir sobre empatia e pertencimento. Lucas explica que a história começa com um mal-entendido que isola um personagem, mas logo revela que a exclusão nunca foi real.
"O nosso espetáculo traz uma temática sobre amizade, compaixão com o próximo. A gente tem um vilão, que nasce de um fragmento de uma luz que é da nossa primeira boneca viva. O vilão fica com raiva da cidade, porque acha que a cidade não liga para ele, que o excluí, mas na verdade, no decorrer da história descobre que não era verdade, apenas eles não sabiam que o vilão se sentia assim", contou.
A virada da história vem com a chegada da rainha, que ilumina o palco e o coração do vilão. O educador conta que é nesse momento que a mensagem principal do espetáculo ganha força. "O vilão acaba virando do bem e eles viajam para a cidade, para comemorar essa reviravolta que teve na vida dele".

Com a coroa de rei da quadrilha do Conviver, Victor Braz viveu sua noite de encanto. Aos 14 anos, o jovem conta que o peso dos ensaios se transformou em leveza quando as luzes do tablado acenderam. "É o segundo ano que eu estou dançando. Estou bastante feliz de estar aqui. É muito gratificante poder representar o Projeto Conviver", destacou.

A noiva da quadrilha, Ana Beatriz Pereira, também de 14 anos, encontrou na dança sua forma mais pura de ser feliz. No projeto desde 2021, ela revela que cada apresentação traz uma emoção diferente. "Foi muito boa e divertida. Não é a primeira vez que me apresento. Participei no ano passado junto com o Conviver e o Cabelos de Prata. É sempre uma emoção diferente. O que eu mais gosto dessa experiência é dançar, porque é a minha coisa favorita", garantiu.
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Quadrilha Xameguinho
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