
Eu recebi uma grande referência em projetos sociais, cultura urbana e periférica, filantropia e gestão cultural. Nada mais nada menos que um dos nomes mais conhecidos nas comunidades periféricas quando o assunto é eventos e cultura, DJ Marcelo Mattos, para uma conversa especial no Portal Connect Cultura. E confesso: foi impossível sair dessa conversa sem enxergar, com ainda mais força, o quanto a cultura periférica carrega beleza, trabalho, dignidade e transformação.
Marcelo chegou com a simplicidade de quem conhece a própria caminhada e com a firmeza de quem sabe o valor da comunidade onde nasceu, cresceu e atua. Morador da comunidade da Serra, em Belo Horizonte, ele é artista, produtor cultural, DJ, radialista, líder comunitário, diretor de uma instituição local e pai de 5 filhos.
DJ Marcelo Mattos:
“É um prazer imenso estar aqui sendo entrevistado pela Kakau Fernandes”.
A partir daí, Marcelo abriu sua história com generosidade. Falou da infância, da música, do funk, do trabalho social e da importância de criar oportunidades para jovens que muitas vezes encontram na arte uma rota possível para fugir da marginalidade, do tráfico e da falta de perspectiva.
A ligação de Marcelo com a música começou cedo. Vindo de uma família de músicos, ele descobriu aos 12 anos sua habilidade com o pandeiro. Depois vieram outros instrumentos de percussão, como tantã e surdo.
Nos anos 2000, conheceu a cultura funk por meio da rádio 99,5 FM. Foi ali que se apaixonou pelo movimento e começou a se aproximar de DJs, eventos e produções culturais.
O funk, para Marcelo, nunca foi apenas entretenimento. Foi oportunidade.
DJ Marcelo Mattos:
“Foi a cultura que me deu oportunidades. Através do funk consegui conhecer pessoas, ganhar experiência, conquistar responsabilidades e proporcionar uma vida melhor para minha família”.
Essa fala resume muito do que, infelizmente, ainda é pouco reconhecido. O funk movimenta artistas, produtores, técnicos, vendedores, famílias e comunidades inteiras. Onde muitos veem apenas preconceito, existe uma economia viva, criativa e profundamente social.
DJ Marcelo Mattos relembrou que o trabalho social nasceu junto com os primeiros eventos realizados na comunidade. Nas matinês e ações culturais, ele e sua equipe arrecadavam leite, macarrão, feijão e outros alimentos para ajudar escolas, famílias carentes e pessoas em situação de necessidade.
Ou seja, antes mesmo de ser chamado de projeto social, aquilo já era cuidado comunitário.
Hoje, DJ Marcelo Mattos faz parte da diretoria da Clínica Favela, instituição que atende jovens, adultos e idosos com atividades como artes marciais, capoeira, alongamento e outras ações voltadas ao desenvolvimento humano.
Para ele, a cultura tem papel decisivo na vida dos jovens.
DJ Marcelo Mattos:
“A cultura oferece oportunidades. Ela permite que o jovem encontre um caminho, desenvolva seus talentos e construa uma perspectiva de futuro”.
E é exatamente isso que mais me emocionou nessa entrevista: perceber que, para Marcelo, cultura não é um discurso bonito. É prática diária. É alimento. É disciplina. É proteção. É caminho.
Quando perguntei sobre a comunidade da Serra, DJ Marcelo Mattos respondeu com orgulho:
“Representa minha história. Tenho muito orgulho da cultura periférica que existe aqui. É uma cultura forte, rica e cheia de talentos.”
A fala dele mostra uma verdade que precisa ser repetida: a periferia não pode ser vista apenas pela carência. Ela também precisa ser reconhecida por sua potência, sua inteligência, sua criatividade e sua capacidade de produzir artistas, lideranças e soluções.
Marcelo é um exemplo disso. Sua trajetória mostra que o funk e a arte periférica podem sustentar famílias, formar profissionais, fortalecer comunidades e afastar muitos jovens de caminhos perigosos.
Durante a entrevista, DJ Marcelo Mattos também falou sobre o Aplicativo Connect Cultura e destacou a importância de plataformas digitais para ampliar o alcance de artistas e produtores culturais.
DJ Marcelo Mattos:
“Fiquei muito feliz em conhecer o Aplicativo Connect Cultura. É uma ferramenta que incentiva os jovens a se conectarem com a cultura, seja através do funk, do rap, do trap, do samba, do rock ou de qualquer outra manifestação artística”.
Segundo ele, iniciativas assim são ainda mais importantes quando chegam às periferias.
DJ Marcelo Mattos:
“Plataformas como o Aplicativo Connect Cultura ajudam artistas, produtores e comunidades a divulgar seus trabalhos, encontrar oportunidades e ampliar seu alcance.”
Ao ser perguntado se indicaria a plataforma, Marcelo foi direto:
“Sim. Principalmente para artistas independentes, produtores culturais, lideranças comunitárias e jovens que desejam crescer através da cultura.”
Ao final da conversa, pedi que Marcelo deixasse uma mensagem para os jovens. A resposta veio com a serenidade de quem já enfrentou muitos desafios.
DJ Marcelo Mattos:
“Nunca desistam dos seus sonhos. Você precisa saber quem é, saber o que quer para sua vida e manter o foco nos seus objetivos.”
Ele também reforçou a importância de manter a essência mesmo nos momentos difíceis.
“Eu já enfrentei muitos desafios, inclusive momentos muito difíceis. Mas nunca perdi minha essência e nunca deixei de acreditar no caminho que escolhi. O mais importante é manter foco, força e fé.”
Música representa o quê para você?
DJ Marcelo Mattos: Transformação.
O que mais lhe inspira diariamente?
DJ Marcelo Mattos: Ver pessoas mudando de vida através da cultura.
Família representa o quê para você?
DJ Marcelo Mattos:Tudo.
Como gostaria de ser lembrado?
DJ Marcelo Mattos: Como alguém que ajudou pessoas e contribuiu para sua comunidade.
O Aplicativo Connect Cultura em uma palavra?
DJ Marcelo Mattos: Oportunidade.
Complete a frase: “A cultura transforma vidas porque...”
DJ Marcelo Mattos: “Porque ela abre portas, gera oportunidades e mostra novos caminhos.”
A entrevista com DJ Marcelo Mattos reforça uma pauta urgente: o funk e a cultura periférica precisam ser vistos com mais respeito, mais escuta e menos julgamento.
Por trás de cada batida, existe trabalho.
Por trás de cada evento, existe uma rede de pessoas.
Por trás de cada jovem no palco, pode existir uma vida sendo afastada da marginalidade.
Por trás de cada liderança como DJ Marcelo Mattos, existe uma comunidade inteira sendo fortalecida.
Como jornalista, saí dessa conversa ainda mais convencida de que dar voz a artistas como DJ Marcelo Mattos é também dar voz a territórios que produzem cultura todos os dias, mesmo quando ainda não recebem o reconhecimento que merecem.
O Portal Connect Cultura agradece ao DJ Marcelo Mattos pela entrevista e por representar, com tanta dignidade, a força da comunidade da Serra e da cultura periférica de Belo Horizonte.
“Nunca desista dos seus sonhos. Você precisa saber quem é, saber o que quer para sua vida e manter o foco no seu objetivo.”
— DJ Marcelo Mattos
Fonte: entrevista concedida por DJ Marcelo Mattos à jornalista Kakau Fernandes.
Apoio e divulgação: Aplicativo Connect Cultura
Site: www.connectcultura.com
Portal Connect Cultura: www.portalconnectcultura.com.br
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