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Usafas de PG oferecem programa de combate ao tabagismo e dão apoio a quem quer parar de fumar

Participantes compartilham experiências e recebem orientações dos profissionais de saúde

28/08/2026 às 11h05
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Praia Grande - SP
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Foto: Jairo Marques /Prefeitura de Praia Grande
Foto: Jairo Marques /Prefeitura de Praia Grande

 

No sábado (29) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data que visa chamar a atenção da população acerca dos malefícios causados pelo tabaco. Causado pela dependência à nicotina, o tabagismo é uma doença crônica que está associada a mais de 50 doenças, como inúmeros tipos de câncer e problemas pulmonares e cardiovasculares. Por isso, o Brasil adota inúmeras políticas públicas de controle do tabaco e também iniciativas para retirar a população desse vício.

 

Em Praia Grande o tema é levado a sério, com o desenvolvimento do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, que oferece suporte para quem deseja parar de fumar conseguir superar esse mal. As 31 Unidades de Saúde da Família (Usafas) ofertam grupos sobre tabagismo, que incentivam a população a parar de fumar, prestando apoio, suporte emocional e orientações de saúde para os cidadãos. No Município atualmente cerca de 900 pessoas participam desses grupos.

 

Nas atividades a equipe de saúde traz informações importantes sobre o combate ao fumo, com indicações sobre como parar de fumar e atenuar os sintomas decorrentes da abstinência. Caso o paciente precise de suporte medicamentoso, a medicação poderá ser prescrita ao paciente, conforme avaliação da equipe de saúde da família.

 

Um aspecto relevante do programa é o trabalho em grupo, fundamental para o sucesso da iniciativa. Nesse momento há o compartilhamento de experiências dos participantes, que abordam seus anseios, medos, sensações e o que têm feito para conviver sem o cigarro. Todo esse trabalho pode contribuir para a diminuição ou até mesmo o fim do consumo do tabaco.

 

Segundo o cirurgião-dentista Yuri Kalinin, responsável pela Divisão de Saúde Bucal e coordenador do Programa Municipal de Controle do Tabagismo em Praia Grande, esse programa representa a consolidação de uma política pública de saúde de extremo sucesso. “O trabalho é fundamentado na abordagem mínima, no fortalecimento do vínculo e na troca contínua de experiências entre os participantes. Além do suporte cognitivo-comportamental, nos casos em que se identifica a necessidade de intervenção farmacológica, o suporte de medicamentos pode ser prontamente prescrito pelo próprio profissional coordenador do grupo”.

 

Milagre de Deus –Parar de fumar é um desafio grande na vida das pessoas, mas a existência de um grupo com o mesmo intuito acaba sendo uma fortaleza importante para superar essa barreira. A praia-grandense Catarina de Fátima Galichio Berteramo, 73 anos, fuma desde os 15 anos de idade e entrou no grupo de tabagismo da Usafa Real meio que por acaso. Ou com a ajuda divina, como ela mesma diz.

 

“Eu vim um dia no posto de saúde buscar um papel para uma consulta. Então, fui até a sala de reuniões e vi um pessoal sentado, aguardando começar alguma coisa. A agente comunitária de saúde sabia que eu fumava, me contou que era um grupo para parar de fumar e sugeriu que eu ficasse. Eu caí de paraquedas, mas foi um milagre de Deus. Estou há um mês no grupo, tenho diminuído o cigarro, mas é muito difícil parar. Só que o grupo é muito bom, a equipe é maravilhosa e cada um tem um testemunho. Foi Deus quem me mandou aquele dia e eu vou conseguir largar o cigarro”, conta dona Catarina.

 

Ela tem um exemplo em casa. O marido Luigi, que foi quem a introduziu ao cigarro quando eles namoravam, parou de fumar quando sofreu o primeiro infarto. Há dois anos, sofreu o segundo. Mesmo assim, dona Catarina seguiu fumando. Até agora. “Meu marido fumava na época e eu querendo me exibir disse a ele que fumava. Aí ele me deu um cigarro e acabei começando a fumar de verdade. Estamos casados há 55 anos. Mas ele já teve infarto, pôsstente tudo e parou. Eu continuei. Mas eu não fumo mais na sala, vou para o quintal. Só que ele vai atrás de mim para falar algo e reclama do cigarro. Mas minha filha comentou que notou e elogiou que eu estou diminuindo. Meu plano é em setembro parar de vez”.

 

Sem julgamentos –Para acolher os participantes de forma que eles não se sintam constrangidos, a equipe de profissionais é qualificada e não há espaço para julgamentos. “O grupo todo está treinado para acolher como se fosse um integrante especial da família, nós estendemos a mão, verificamos qual o propósito dele naquele momento, mas sem criticar ou dizer o que pode ou não fazer. Cada integrante é uma peça muito importante, cada um traz uma experiência que vai preencher a lacuna do outro que está do lado. E o retorno é bem positivo, as pessoas não faltam, ficam bem atentas”, declara o médico da Usafa Real, Vitor Quagliano, responsável pelo grupo na unidade.

 

Além das atividades em grupo, outro destaque desse trabalho está na elaboração de uma análise sobre cada paciente de forma individual, percebendo suas necessidades, até para direcionar o melhor tratamento ao longo do processo. É feita uma ficha de triagem e também é levantado o histórico dos participantes via prontuário eletrônico. A meta é conhecer suas comorbidades e ocorrências de saúde nos últimos anos, visando aprofundar o conhecimento sobre cada participante, para poder realizar um acompanhamento específico.

 

“O fator comum é que todos fumam, mas um pode ter hipertensão e diabetes, outro pode ter apenas hipertensão, outro pode não ter essas doenças, mas, por exemplo, faz uso de remédio controlado. Um outro pode ter feito uma cirurgia recente. Cada um tem um parecer que é levado em conta na estratégia desenvolvida para o grupo e também para avaliar se ele pode ou não tomar algum remédio e qual tipo”, acrescenta Quagliano.

 

Como acessar –Para ter acesso ao serviço, o interessado deve procurar a Usafa onde está cadastrado e informar sobre o desejo de participar do grupo. A equipe de saúde da família irá direcionar o indivíduo para o grupo e prestará todos os esclarecimentos necessários.

 

Cada unidade organiza o grupo conforme as particularidades de cada território. Os encontros podem ser semanais, quinzenais ou mensais, a depender da necessidade dos pacientes e do estágio em que o grupo se encontra.

 

Números –Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de fumantes no planeta caiu de 1,38 bilhão em 200 para 1,2 bilhão em 2024. No entanto, o tabagismo segue sendo a principal causa de morte evitável no mundo e uma das maiores ameaças à saúde pública global, vitimando mais de 8 milhões de pessoas/ano, sendo 7 milhões pelo uso direto do tabaco e 1,2 milhão de fumantes passivos, conforme a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

 

O Brasil, que vinha acompanhando essa queda mundial nas duas últimas décadas, sofreu um revés no levantamento mais recente da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. A proporção de fumantes se elevou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, o que equivale a um aumento de 25% em um ano.

 

A prevalência de fumantes entre homens é maior, passando de 11,6% em 2023 para 13,9% em 2024. Em relação às mulheres, o índice pulou de 7,3% em 2023 para 9,5% no ano seguinte. A expansão de novos produtos de nicotina, como os dispositivos eletrônicos (vapes), pode estar entre os fatores associados a essa mudança, especialmente quando se volta o olhar para o uso crescente por parte dos jovens. 

 

Sobre o programa –O Programa Municipal está inserido na Política Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), articulada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), sendo uma referência internacional no Sistema Único de Saúde (SUS), ao integrar ações educativas, regulatórias e de tratamento gratuito na Atenção Primária. Ao unir a oferta de suporte cognitivo-comportamental e farmacológico a estratégias contínuas de conscientização e restrição ao uso e à publicidade do tabaco, a PNCT atua diretamente na redução da prevalência de fumantes e na prevenção de doenças crônicas em todo o território nacional.

Foto: Jairo Marques /Prefeitura de Praia Grande
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Foto: Jairo Marques /Prefeitura de Praia Grande
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