
Separar o lixo seco do úmido parece um gesto pequeno. Mas, para Porto Velho, capital que enfrenta desafios históricos na gestão de resíduos, essa atitude simples é o ponto de virada para transformar passivo ambiental em oportunidade econômica.
Nesta sexta-feira (14), a Prefeitura abriu as portas do auditório da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles para o 1º Seminário Porto-Velhense de Resíduos Sólidos. O objetivo foi direto, unir poder público, especialistas e associações de catadores para desenhar soluções reais para a cidade.
A responsabilidade não acaba na lixeira
Um dos principais alertas do evento foi sobre o papel do cidadão. A gestão do lixo não é um problema que "desaparece" quando o saco de lixo vai para a calçada.

"Essa responsabilidade não é só do município ou do Estado. É um compromisso de todos. Em casa, precisamos saber separar, no mínimo, o lixo seco do molhado. Isso aumenta a vida útil do aterro e faz com que apenas o rejeito real vá para lá" disse, Renato Muzzolon, representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema).
A orientação inicial é prática e sem complicação: nada de surtar separando plásticos, vidros e metais um por um. A regra de ouro para começar é apenas dividir em duas sacolas:
Lixo Seco (Reciclável):Papel, plástico, metal, papelão.
Lixo Úmido (Orgânico e Rejeito):Restos de comida, lixo do banheiro.
Catadores:a engrenagem que faz a roda girar

Além de proteger o meio ambiente, a separação correta impacta diretamente a vida de quem ganha o pão com a reciclagem. Para Michel Esteves, assessor técnico da Catanorte, a educação ambiental precisa ser contínua para resguardar esses trabalhadores.
O secretário de Meio Ambiente, Arthur Borin, reforçou que a triagem caseira é a única forma de viabilizar a coleta seletiva na capital.
"Só os catadores não conseguem dar conta se o lixo vier misturado. Quando chega tudo bagunçado, o trabalho triplica e, muitas vezes, inviabiliza o reaproveitamento".
Completando a visão de impacto social, o secretário executivo da Seinfra, Giovanni Marini, destacou que a pauta une sustentabilidade e economia.

"Transformamos o que seria descartado em oportunidade real de trabalho e renda".
Mãos dadas pelo futuro da capital
O evento também contou com o apoio de entidades como o Sebrae Rondônia, representado pelo diretor administrativo-financeiro Edson Lemos, que colocou a instituição à disposição para apoiar as próximas etapas da gestão de resíduos.
Para o prefeito Léo Moraes, o seminário foi o marco zero de uma transformação de longo prazo.
“Quando o poder público, os catadores, as instituições e cada morador entendem o seu papel, construímos uma cidade mais sustentável e geramos renda para quem precisa".
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Texto:Helen Paiva
Imagens:Erisson Soares
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
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