
Com o envelhecimento da população brasileira, cresce também o número de pessoas que convivem com Alzheimer e outras formas de demência. Segundo o Relatório Nacional sobre Demência de 2024, cerca de 1,8 milhão de brasileiros com mais de 60 anos vivem com algum tipo dessas condições. Diante desse cenário, um projeto de doutorado utiliza a atividade física como estratégia complementar ao tratamento médico de pessoas com demência.
A autora do estudo, Caroline Giolo de Melo, doutora em Ciências e pesquisadora da Escola de Educação Física e Esporte da USP , explica que a prática regular de exercícios pode contribuir para a prevenção das demências. Segundo ela, pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver essas condições ao longo da vida.
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O projeto MoviMente, desenvolvido durante seu doutorado, utiliza atividades físicas em grupo como estratégia para atender um maior número de pessoas com demência e complementar o tratamento médico convencional. A proposta busca estimular a socialização, reduzir o isolamento e preservar a autonomia dos participantes por meio de exercícios voltados à manutenção das funções cognitivas e da aptidão física funcional.
De acordo com a pesquisadora, a iniciativa contribui para que os pacientes mantenham por mais tempo a capacidade de realizar atividades cotidianas de forma independente, promovendo ganhos na qualidade de vida tanto dos participantes quanto de seus familiares e cuidadores.
Caroline explica que os participantes apresentaram melhora na aptidão física funcional em comparação com os testes realizados antes do início do projeto. Ela destaca que os benefícios também foram observados no estado cognitivo dos pacientes.
“Nós aplicamos um teste chamado Mini Exame do Estado Mental, que avalia a cognição. Todos os participantes obtiveram uma pontuação maior na avaliação final do que na inicial. Alguns melhoraram mais, outros menos, mas, de forma geral, todos apresentaram evolução. Foi um resultado bastante impressionante”, relata.
Segundo a pesquisadora, alguns participantes também relataram melhora na qualidade do sono, na alimentação, na realização de atividades do dia a dia — como subir escadas — e até mesmo em aspectos emocionais e sociais. Além da prática dos exercícios, os pacientes têm a oportunidade de interagir entre si, enquanto os cuidadores podem compartilhar experiências e construir redes de apoio.
A experiência teve continuidade após o término da pesquisa e foi incorporada como política pública pela Secretaria de Esportes de Valinhos, no interior de São Paulo, município onde o estudo foi realizado inicialmente. A expectativa é que o projeto sirva de inspiração para a implementação de iniciativas semelhantes em outras cidades do país.
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