
Em um hospital de urgência, o relógio não é apenas um marcador de tempo, mas um elemento decisivo entre a vida e a morte. No Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), referência em alta complexidade no estado, esse cenário se repete diariamente nas alas vermelha e amarela, onde equipes multiprofissionais atuam em uma corrida constante contra o tempo para garantir atendimento imediato aos pacientes em estado crítico.
O fluxo é intenso. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chega de forma contínua, trazendo vítimas de traumas, acidentes, infartos, AVCs e outras emergências graves. Assim que entram no hospital, os pacientes passam por avaliação imediata e são direcionados conforme o grau de risco, em um processo que exige precisão e decisões em poucos minutos.
Na linha de frente desse atendimento está o médico especialista em Medicina de Emergência e responsável pelos pacientes críticos do Huse, Edvaldo dos Santos. Ele resume o que define a gravidade que chega à ala vermelha. “A ala vermelha é destinada aos pacientes em situação de risco iminente de morte ou com potencial de rápida deterioração clínica. São casos como insuficiência respiratória, choque circulatório, grandes traumas, AVC, infarto e sepse grave. É onde concentramos os pacientes mais críticos do Estado, que precisam de intervenção imediata e monitorização contínua”, explicou.
Segundo o médico, o início do atendimento é sempre determinante para o desfecho clínico. A atuação precisa ser rápida, mas ao mesmo tempo coordenada. “Nos primeiros minutos, avaliamos vias aéreas, respiração e circulação, iniciando suporte ventilatório, medicações e intervenções necessárias. Em Medicina de Emergência, tempo e decisão caminham juntos, e isso pode mudar completamente o prognóstico do paciente”, afirmou.
Ele relembra um caso que marcou sua trajetória profissional pela gravidade e pela resposta rápida da equipe. “Tivemos um paciente com infarto agudo do miocárdio complicado por choque cardiogênico. Ele chegou em estado crítico e foi imediatamente reconhecido. Houve estabilização na ala vermelha e encaminhamento rápido à hemodinâmica. A agilidade da equipe e a integração com o Samu foram fundamentais para que ele sobrevivesse e pudesse retornar à família”, relatou.
A dinâmica se intensifica quando múltiplos pacientes graves chegam simultaneamente. Nesses momentos, a organização e o trabalho em equipe são decisivos. “Nessas situações, utilizamos classificação de risco e priorização. Cada profissional sabe sua função, e o atendimento acontece de forma simultânea e coordenada. A comunicação entre as equipes é essencial para garantir que ninguém fique sem o suporte necessário”, completou o médico.
Estrutura organizada e decisões em segundos
A gerente da ala vermelha do Huse, Iraildes Santos, detalha que o setor funciona como um ambiente de alta pressão contínua, onde a rotina é guiada pela gravidade dos casos e pela necessidade de resposta imediata. “Trabalhamos com pacientes instáveis, que podem mudar de quadro a qualquer momento. Isso exige uma equipe altamente treinada, protocolos bem definidos e, principalmente, agilidade na tomada de decisão. Aqui, cada minuto realmente conta, e, muitas vezes, cada segundo define o rumo do atendimento”, afirmou.
Ela destaca que o cuidado vai além da técnica e envolve integração entre diferentes áreas e profissionais. “A equipe é multiprofissional e atua de forma integrada o tempo todo. Médicos, enfermagem, fisioterapia e demais setores trabalham em conjunto, com comunicação constante. Esse alinhamento é o que permite respostas rápidas e seguras em situações críticas”, reforçou.
Atendimento rápido
Entre os casos acompanhados na ala vermelha, a família de um paciente idoso de 82 anos destaca a agilidade e a atenção recebida desde a chegada ao hospital. Grace Kelly, neta do paciente, relata que o avô foi transferido após agravamento de um quadro respiratório. “Ele veio da urgência com início de pneumonia e precisou de oxigênio. Foi estabilizado e depois transferido para a ala vermelha. Até agora, ele foi muito bem assistido, os médicos foram muito precisos nas informações e nos cuidados. Ele está sendo bem tratado”, disse.
Em meio a monitores, protocolos e decisões que não podem esperar, o que se repete na rotina do Huse é a soma de técnica e cuidado humano. Entre a pressão da urgência e a precisão da medicina, cada paciente chega carregando uma história, e cada atendimento representa uma tentativa real de devolver o tempo ao lado de quem espera por uma nova chance de viver. Após a estabilização na ala vermelha, os pacientes são encaminhados, quando necessário, para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde seguem em recuperação contínua.





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