Educação Mato Grosso do Sul
Programa leva ciência forense às escolas e amplia diálogo com estudantes da Rede Estadual
Programa estadual leva ciência forense às escolas, apresenta possibilidades profissionais e amplia o diálogo com a sociedade; programação em Campo ...
29/10/2026 10h46
Por: Redação Fonte: Secom Mato Grosso do Sul

Programa estadual leva ciência forense às escolas, apresenta possibilidades profissionais e amplia o diálogo com a sociedade; programação em Campo Grande reúne mais de 2,4 mil pessoas

O prédio azul-royal da PCi-MS (Polícia Científica de Mato Grosso do Sul), quase em frente à Escola Estadual Coração de Maria, em Campo Grande, já despertava a curiosidade de Ana Júlia Nolasco Silva, de 15 anos. A cor, adotada como elemento de identidade visual das Polícias Científicas brasileiras, ajuda a identificar a instituição, mas era o trabalho realizado do lado de dentro que a estudante queria conhecer.

Aluna do primeiro ano do ensino médio e interessada em documentários sobre casos criminais, Ana Júlia tentava imaginar a rotina dos profissionais. “Eu imagino que tem bastante computador, né? E vocês ficam lá anotando as coisas que vocês viram no crime”, contou. Havia também uma dúvida específica: “Eu queria muito saber como que funciona o negócio das plaquinhas”. Ela se referia aos marcadores utilizados pelos peritos para sinalizar vestígios durante os exames em locais de crime.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

Na segunda-feira (26), a curiosidade ganhou espaço para perguntas e descobertas. Profissionais da Polícia Científica estiveram na escola para apresentar suas áreas de atuação, mostrar equipamentos, realizar demonstrações e conversar com os estudantes. A atividade integrou o PCi Educa — Escola, Universidade e Comunidade, programa que aproxima a ciência forense da população de Mato Grosso do Sul.

Ciência que sai dos laboratórios e chega às escolas

A experiência vivida pelos alunos da Coração de Maria traduz um dos principais objetivos do PCi Educa: a divulgação científica. O programa busca tornar acessível o conhecimento utilizado pela Polícia Científica, explicando como os vestígios são examinados, quais métodos são empregados e de que maneira os resultados periciais contribuem para a Justiça.

Por meio de palestras, exposições, demonstrações e rodas de conversa, os participantes podem conhecer um trabalho que vai muito além das cenas de crime retratadas em filmes e séries. A instituição reúne diferentes especialidades, como criminalística, genética forense, toxicologia, papiloscopia, identificação humana e medicina legal.

A proposta também é mostrar que a ciência faz parte de situações concretas da vida da população, desde a identificação civil até a produção de provas técnico-científicas utilizadas em procedimentos policiais e judiciais.

Conhecer os vizinhos, descobrir profissões

Outra frente do PCi Educa é a orientação profissional e vocacional. Ao conhecer os servidores, suas formações e atividades, estudantes têm a oportunidade de descobrir carreiras que muitas vezes não fazem parte de suas referências na hora de escolher uma profissão.

Para a diretora da Escola Estadual Coração de Maria, Elizabeth de Fátima da Silva Mattas, essa aproximação é especialmente relevante para os jovens que ainda estão construindo seus planos para o futuro.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

“Tem gente que termina o terceiro ano e ainda tá indeciso, não sabe o que que vai fazer”, observa Elizabeth.

A escola já desenvolve atividades de orientação profissional, convidando trabalhadores de diferentes áreas para compartilhar experiências. Com a participação da Polícia Científica, os alunos puderam conversar com peritos criminais, uma perita papiloscopista e uma agente de Polícia Científica, conhecendo diferentes caminhos de formação e atuação.

Mais do que apresentar cargos, o encontro permitiu aos estudantes relacionar conhecimentos aprendidos na escola com atividades profissionais que utilizam a ciência para responder a questões concretas.

Uma conversa que também chegou às famílias

O terceiro objetivo do PCi Educa é ampliar o diálogo com a sociedade, levando informações de interesse público às comunidades e criando oportunidades para que os profissionais conheçam suas dúvidas e necessidades.

Na Coração de Maria, essa aproximação começou antes da apresentação sobre carreiras. No sábado (24), durante uma atividade voltada às famílias, profissionais da Polícia Científica conversaram com pais e alunos sobre bullying e cyberbullying, temas que, segundo a diretora, preocupam a comunidade escolar.

“A palestra de sábado, para quem esteve presente, ela foi muito esclarecedora, principalmente aos pais que estiveram aqui”, relata Elizabeth.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

Para a diretora, o encontro também ajudou a apresentar às famílias um serviço público cuja atuação ainda é pouco conhecida, mesmo por pessoas que convivem diariamente com a instituição.

A intenção é dar continuidade à parceria no próximo ano, abrindo espaço para novos encontros sobre assuntos que fazem parte da realidade dos estudantes e de suas famílias.

Da escola vizinha para todo o Estado

Com abrangência estadual, o PCi Educa organiza e amplia iniciativas educativas que já eram realizadas pelos profissionais da Polícia Científica. A novidade é a estruturação dessas atividades em um programa, com um canal específico para solicitações e participação dos institutos da Capital e das 14 Unidades Regionais de Perícia e Identificação (URPIs).

A proposta permite que escolas, universidades, órgãos públicos e organizações comunitárias de diferentes municípios solicitem ações de divulgação científica, orientação profissional e diálogo sobre assuntos relacionados à atuação da instituição.

Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul
Foto: Reprodução/Secom Mato Grosso do Sul

“Institucionalizar o PCi Educa é dar continuidade e organização a um trabalho que nossos profissionais já realizam”, afirma o coordenador-geral de Perícias, perito criminal Nelson Fermino Junior.

Segundo ele, a participação dos institutos e das unidades regionais permite ampliar o contato com diferentes públicos, esclarecer dúvidas sobre os serviços prestados e mostrar como o conhecimento científico contribui para a segurança pública e a garantia de direitos.

Atividades reúnem mais de 2,4 mil pessoas em Campo Grande

Entre sábado (24) e quarta-feira (28), a programação que contou com a participação do PCi Educa em Campo Grande registrou um público somado de 2.420 pessoas, entre estudantes e familiares, em atividades de divulgação científica, orientação profissional e diálogo com a comunidade.

Na Escola Estadual Coração de Maria, 270 alunos conheceram as diferentes áreas de atuação da Polícia Científica, enquanto outras 100 pessoas participaram do encontro sobre bullying e cyberbullying.

Na terça-feira (27), a programação chegou à Escola Estadual Professor Sílvio de Oliveira Barroso, onde 50 estudantes do ensino médio técnico jurídico acompanharam uma apresentação sobre perícia em locais de crime.

Já nesta quarta-feira (28), a Polícia Científica participou do Giro de Profissões da Anhanguera Unaes, evento que reuniu 2 mil estudantes nos períodos da manhã e da noite. Durante a programação, os profissionais apresentaram especialidades, equipamentos e possibilidades de carreira nas ciências forenses.

Como solicitar uma atividade

Escolas, universidades, órgãos públicos, empresas e grupos organizados de todo o Estado podem solicitar ações do PCi Educa pelo formulário disponível na página oficial do programa:

Para participar, é necessário informar o município, o público previsto, o tema de interesse, o formato desejado e as datas possíveis. As propostas são avaliadas conforme a adequação da atividade, as condições de realização e a disponibilidade das equipes, sem comprometer a continuidade dos serviços periciais.

O mesmo prédio, um novo olhar

Na Escola Estadual Coração de Maria, Ana Júlia encontrou mais do que respostas sobre as pequenas placas usadas pelos peritos. Depois de acompanhar as demonstrações e ouvir profissionais de diferentes áreas, a estudante passou a enxergar possibilidades que antes não conhecia.

“Eu fiquei encantada com tudo que vi, minha mente abriu pra uma série de oportunidades profissionais que eu nem imaginava”, contou. Depois de conhecer o trabalho dos peritos criminais, da perita papiloscopista e da agente de Polícia Científica, resumiu a experiência: “Sinceramente, amei todas as profissões”.

O prédio azul-royal continua no mesmo lugar, quase em frente à escola. Para Ana Júlia, porém, já não é apenas uma instituição sobre a qual tinha curiosidade. Tornou-se também uma referência de profissões e de caminhos que ela poderá escolher para o próprio futuro.

Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi