Nos dias atuais, a alfabetização vai muito além de interpretar textos nos livros ou decifrar símbolos em placas e outdoors. O avanço das tecnologias da informação e da comunicação tem transformado profundamente a forma como as pessoas estudam, trabalham e se relacionam. E em uma sociedade cada vez mais conectada, o chamado ‘letramento digital’ — a capacidade de compreender e utilizar as ferramentas tecnológicas — tem se tornado uma habilidade indispensável para as atividades do cotidiano.
Nesse cenário, a Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), tem ampliado os investimentos em tecnologia educacional. Mais do que modernizar a estrutura física das escolas, a iniciativa busca democratizar o acesso dos estudantes ao ambiente digital, estimulando o desenvolvimento de novas competências e aproximando o ensino das demandas específicas de uma ‘sociedade em rede’.
“Hoje, não saber utilizar os dispositivos digitais e suas inúmeras ferramentas é como não falar o idioma de um país estrangeiro: você fica perdido. Por isso, a Rede Municipal de Ensino busca proporcionar a profissionais da educação e estudantes o domínio desse novo ‘idioma’. A ideia é que eles possam se comunicar com mais fluidez no universo digital e estejam preparados para os desafios do presente e as oportunidades do futuro”, afirmou Elisson Dutra, diretor do Departamento de Informática Escolar (DIE) da Sedec.
Nas escolas municipais da capital paraibana, a tecnologia digital ganhou mais espaço durante a pandemia de Covid-19, quando a Secretaria de Educação e Cultura implantou, em 2021, o Google for Education em suas unidades. A experiência com o ensino remoto acabou contribuindo para ampliar e consolidar uma política permanente de tecnologia educacional, que passou a incluir a distribuição de Chromebooks e tablets, a implantação das Salas Google e dos Espaços Maker, além da formação de professores.
As primeiras Salas Google começaram a ser introduzidas em 2022 e, desde então, vêm sendo implantadas progressivamente nas unidades escolares, como parte do novo padrão de infraestrutura da rede municipal. “Todas as escolas que passaram por reformas receberam o Espaço Google, e aquelas que ainda estão em obras também serão contempladas. Atualmente, temos 80 unidades em pleno funcionamento e 26 em processo de implantação. A determinação é alcançar 100% da rede municipal, sem deixar nenhuma escola de fora. Para isso, os investimentos da Prefeitura em equipamentos, ferramentas, recursos tecnológicos e internet já ultrapassam a marca dos R$ 300 milhões”, pontuou Elisson Dutra.
Segundo o diretor da DIE, o processo de implementação das Salas Google é acompanhado por um programa de formação continuada voltado aos profissionais da rede. “Nas escolas que já contam com o espaço, mediadores de tecnologia orientam os professores sobre o uso das ferramentas e equipamentos, oferecem suporte às equipes e promovem oficinas com os alunos”, explicou.
Mais de 4 mil profissionais da Educação já participaram das capacitações, realizadas tanto presencialmente quanto de forma remota. Como a formação é contínua, novas atividades de aperfeiçoamento são promovidas regularmente, com o objetivo de ampliar e qualificar o uso dos recursos tecnológicos disponíveis no cotidiano escolar.
Escola Municipal Américo Falcão – Entre as unidades da Rede Municipal de Ensino que contam com uma Sala Google está a Escola Municipal Américo Falcão, no bairro do Cristo Redentor. O espaço foi instalado durante a reinauguração da unidade, em setembro de 2022, e desde então passou a integrar a rotina pedagógica de estudantes e professores, em conjunto com outros recursos tecnológicos disponibilizados pela Prefeitura.
“As Salas Google representam mais uma oportunidade de ampliar o acesso dos estudantes aos recursos tecnológicos, possibilitando experiências educativas inovadoras, interativas e adequadas às diferentes faixas etárias. Esses recursos também favorecem o desenvolvimento do raciocínio lógico, da criatividade, da leitura, da escrita e da autonomia. Porém, é importante destacar que a tecnologia não substitui o professor, mas amplia suas possibilidades de intervenção pedagógica, respeitando os diferentes ritmos e necessidades de aprendizagem das crianças”, declarou a gestora escolar da Escola Municipal Américo Falcão, Wellingta Magnólia Andrade.
Para a professora Socorro Belisário, que leciona no 1º ano do Ensino Fundamental da Américo Falcão, o ambiente Google tem contribuído significativamente para a elaboração e execução das mais variadas atividades escolares. Entre os recursos que ela destaca está a plataforma Super Ensino, ferramenta digital voltada ao reforço escolar e à gestão pedagógica.
“Além de trabalharmos os conteúdos de Português e Matemática, a plataforma também ajuda no reforço pedagógico, principalmente por meio dos jogos educativos. Nós, professores, planejamos as aulas pensando nos conteúdos e nas habilidades em que os alunos têm mais dificuldade. Durante a semana, eles fazem as atividades em casa, com o acompanhamento da família, e todas as quartas-feiras temos um cronograma na escola para que eles utilizem os Chromebooks, pratiquem e reforcem esses conhecimentos”, disse Belisário.
Para dar suporte aos professores e estudantes da EM Américo Falcão, a mediadora de tecnologia Stefanye Cortez acompanha as atividades desenvolvidas na Sala Google e no Espaço Maker. Nesse trabalho, ela também orienta o uso dos Chromebooks e de outras ferramentas, promovendo a incorporação desses recursos ao cotidiano escolar e, consequentemente, ampliando as possibilidades do ensino-aprendizagem.
Nas palavras de Cortez o ‘letramento digital’ vai além de aprender a utilizar computadores, tablets e outras ferramentas. “Alfabetizar no mundo digital é ensinar os estudantes a usar a tecnologia para criar, pesquisar e resolver problemas, desenvolvendo o pensamento crítico, a criatividade, a autonomia e a capacidade de trabalhar em colaboração. Também envolve conhecimentos como programação e robótica e, principalmente, busca integrar os recursos digitais aos objetivos pedagógicos, tornando as atividades mais interativas e significativas”, detalhou.
E quando o assunto é tecnologia, os alunos Antônio Neto e Esther Souza, ambos do 1º ano, não escondem a preferência pelos Chromebooks. Para eles, os jogos são “a parte mais legal da brincadeira”, já que unem diversão e aprendizado. Mas a diversão não fica restrita às telas. No Espaço Maker, ao lado dos coleguinhas, Antônio e Esther também soltam a imaginação em brincadeiras criativas e desafiadoras com as coloridas peças de LEGO.
A professora Socorro Belisário destaca o desempenho do pequeno Antônio na interação com o computador em sala de aula. “Este ano, meu aluno Antônio foi o melhor da escola utilizando a plataforma de reforço Super Ensino. Ele ganhou brindes e tudo! Fiquei muito orgulhosa”, comemora.
Para a gestora escolar Wellingta Andrade o ‘letramento digital’ se tornou uma ferramenta de inclusão social e democratização do conhecimento, especialmente para estudantes que não dispõem de computadores ou acesso adequado à internet em casa.
“Nesse sentido, nossa responsabilidade é oferecer às crianças uma formação integral, que articule conhecimentos acadêmicos, competências digitais e valores humanos. Mais do que prepará-las para o mercado de trabalho, queremos formar cidadãos críticos, criativos, participativos e capazes de utilizar a tecnologia para transformar positivamente a sociedade.
O núcleo principal de tecnologias utilizadas pela Prefeitura Municipal de João Pessoa nas escolas da rede são: Google for Education, Salas Google, Chromebooks, Tablets, Espaços Maker, robótica e CODE (projeto de programação Codificar para Desenvolver).
Salas Google – É um ambiente pedagógico estruturado para ampliar o uso das ferramentas digitais no processo de aprendizagem. Nesses espaços, os estudantes têm acesso a equipamentos e recursos digitais que podem ser utilizados em diferentes atividades e disciplinas.
Espaço Maker – É um ambiente voltado principalmente para a experimentação, criação e resolução de problemas, no qual os estudantes são estimulados a desenvolver projetos e buscar soluções para situações do cotidiano.
Robótica – Por meio de kits e atividades de montagem e programação, os alunos são desafiados a construir, testar e aperfeiçoar soluções, desenvolvendo raciocínio lógico, criatividade, autonomia, colaboração e capacidade de resolver problemas.
CODE (Codificar para Desenvolver) – O projeto trabalha o pensamento computacional e a lógica de programação, permitindo que os estudantes avancem de usuários de tecnologia para criadores de soluções digitais.