Geral SAÚDE PÚBLICA
Em cinco anos, Hospital Galileu consolida acreditação de excelência e reconhecimento científico
Manutenção da ONA Nível 3, intercâmbio profissional e metodologia apresentada em congresso internacional refletem o trabalho pela qualidade e segur...
20/10/2026 19h05
Por: Redação Fonte: Secom Pará

Governança Clínica que reúne protocolos assistenciais, gestão de riscos, educação permanente e acompanhamento de indicadores

Conferir a identificação antes de administrar um medicamento, avaliar o risco de queda e verificar informações essenciais em cada etapa de uma cirurgia. No Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém, o compromisso com a qualidade se traduz em cuidados que fazem parte da rotina dos profissionais e ajudam a proteger quem depende da assistência pública. Nos últimos cinco anos, esse trabalho sustentou a manutenção da Acreditação ONA Nível 3 - Acreditado com Excelência - e ganhou espaço em encontros científicos nacionais e internacionais.

Nesse período, o Hospital passou por cinco avaliações externas anuais, mantendo o nível mais alto da metodologia brasileira de acreditação hospitalar. O reconhecimento expressa a maturidade da gestão, a integração dos processos e a continuidade das práticas de qualidade e segurança do paciente.

O reconhecimento expressa a maturidade da gestão, a integração dos processos e a continuidade das práticas de qualidade e segurança do paciente.

A diretora executiva do HPEG, Paula Narjara, destaca que esse resultado é sustentado por um modelo de Governança Clínica que reúne protocolos assistenciais, gestão de riscos, educação permanente e acompanhamento de indicadores, especialmente os relacionados aos desfechos clínicos. “Não basta instituir protocolos: é fundamental avaliar sua adesão, identificar desvios e transformar dados em decisões e melhorias efetivas na assistência”, afirma.

Na prática, isso significa acompanhar como as orientações são executadas, identificar fragilidades e mobilizar as equipes para corrigi-las. O trabalho envolve profissionais das áreas assistenciais, administrativas e de apoio, com auditorias, análise de notificações de incidentes e acompanhamento das medidas adotadas.

A enfermeira Kelly Souza, do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente (NQSP), também ressalta que treinamentos, campanhas, simulações realísticas e trilhas de aprendizagem gamificadas ajudam a aproximar os protocolos das situações vivenciadas pelas equipes. “Na identificação do paciente, por exemplo, a conferência dos identificadores antes da administração de medicamentos, da realização de exames e de procedimentos contribui para reduzir o risco de falhas”, enfatiza.

O acompanhamento também contempla cirurgia segura, prevenção de quedas e lesões por pressão, profilaxia de tromboembolismo venoso e o Plano Terapêutico Individualizado. Em agosto de 2026, o 23º Ciclo de Auditoria de Riscos abrangeu 45 processos mapeados, permitindo identificar oportunidades de aperfeiçoamento.

Cada oportunidade identificada passa por análise conjunta entre o NQSP e os setores responsáveis. As ações são formalizadas com responsáveis, prazos e critérios de acompanhamento, incluindo a verificação de sua execução e dos resultados alcançados. “O objetivo é identificar oportunidades de aperfeiçoamento do processo, e não apenas responder pontualmente à ocorrência”, reforça Kelly Souza.

Conhecimento desenvolvido no SUS

Além da manutenção da acreditação, a experiência do HPEG alcançou espaço no debate internacional sobre qualidade em saúde. Em outubro de 2025, o estudo “Qualitometer Audit: A Tool for the Development of Corporate and Clinical Governance in a 100% SUS Hospital” foi apresentado no congresso da International Society for Quality in Health Care (ISQua), em São Paulo (SP).

Conforme Paula Narjara, que também é especialista em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente, o estudo esteve entre cinco selecionados entre milhares de trabalhos submetidos, para uma apresentação oral de 30 minutos. Desenvolvida no contexto de um hospital integralmente dedicado ao Sistema Único de Saúde (SUS), a ferramenta permite diagnosticar a maturidade da governança corporativa e clínica, desenvolver competências gerenciais e orientar decisões baseadas em evidências.

A diretora informa que o trabalho recebeu elogios da pesquisadora Siobhan McCarthy, vinculada à Universidade de Oxford, na Inglaterra, que destacou seu potencial para o desenvolvimento dos profissionais e o fortalecimento da Governança Clínica. “Essa experiência demonstra que o SUS não apenas aplica conhecimento científico. Também desenvolve metodologias capazes de contribuir para a gestão da saúde em âmbito internacional”, avalia a gestora.

Assistência cirúrgica

A assistência cirúrgica especializada também foi destaque no evento “SBCT com Você – Belém/PA”, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, nos dias 21 e 22 de agosto de 2026. No segundo dia, o HPEG sediou a programação presencial, com realização e transmissão ao vivo de três cirurgias de traqueia, acompanhadas por especialistas de várias localidades.

Ainda de acordo com a diretora, a atuação das equipes recebeu elogios da médica Paula Ugalde, da Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos. Para a gestora, a experiência evidencia a capacidade de um hospital 100% SUS de oferecer assistência especializada e compartilhar conhecimento com a comunidade médica internacional.

Trocas e aprendizado

A troca de experiências integra a estratégia de qualificação da unidade de saúde. O HPEG recebe, em média, cinco visitas técnicas de benchmarking por ano, nas quais profissionais e instituições conhecem práticas assistenciais e gerenciais, compartilham soluções e discutem oportunidades de melhoria.

Em outubro de 2026, estudantes da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Instituto Federal do Pará (IFPA) visitaram a unidade para conhecer iniciativas de sustentabilidade, especialmente a gestão de resíduos, e as ações de responsabilidade social que envolvem coletores de materiais recicláveis.

A educação permanente também é estimulada pelos simpósios científicos promovidos pela gestão. Três edições já abordaram temas como alta confiabilidade, cuidado centrado no paciente, liderança e compliance em saúde. A mais recente reuniu quase mil profissionais, abrindo espaço para trabalhos científicos sobre melhorias desenvolvidas nas unidades administradas pelo Instituto. A quarta edição está em preparação.

Segundo Paula Narjara, a participação em congressos e o intercâmbio com outras instituições precisam repercutir na assistência, subsidiando a revisão de protocolos, o aperfeiçoamento dos processos e o desenvolvimento das equipes. “O conhecimento científico só alcança seu verdadeiro propósito quando se transforma em melhores práticas, maior segurança e melhores desfechos para os pacientes”, reitera a gestora.

Serviço:

O Hospital Público Estadual Galileu é referência em traumatologia na rede de saúde mantida pelo Governo do Pará. Dispõe de 104 leitos e atende exclusivamente usuários do SUS.

Texto: Ascom/Sespa