Geral EDUCAÇÃO INDÍGENA
Governo do Estado garante nova estrutura de escola indígena para o povo Tembé
Unidade no Alto Rio Guamá recebe investimentos em infraestrutura e tem suporte pedagógico da Seduc para estudantes do Ensino Fundamental e Médio
20/10/2026 18h43
Por: Redação Fonte: Secom Pará

Nova escola atende comunidade Tembé na aldeia Pirá, na terra indígena Alto Rio Guamá

O governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), é parceiro na implantação da nova estrutura da Escola Indígena Anexo Félix Tembé, localizada na aldeia Pirá, do povo Tembé, na região da Terra Indígena Alto Rio Guamá, no Pará. Entregue nesta terça-feira (20), a unidade representa a concretização de uma antiga reivindicação da comunidade e amplia as condições de acesso à educação pública de qualidade no território indígena.

A obra foi executada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em parceria com o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), por meio de um projeto de cooperação técnica internacional voltado à conclusão de escolas em comunidades tradicionais. A iniciativa contempla 62 escolas indígenas e quilombolas em oito estados brasileiros, das quais 17 estão no Pará.

Escola Tembé na aldeia Pirá tem gestão da Seduc

Além da parceria institucional, o governo do Estado, por meio da Seduc, será responsável pelo funcionamento da unidade, disponibilizando professores, mobiliário e demais profissionais da educação. A gestão ficará sob a responsabilidade da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Capitão Poço, garantindo o suporte necessário às atividades pedagógicas e administrativas.

A dirigente regional de Capitão Poço, Elizângela Souza, que representou a Seduc na cerimônia, destacou a importância da entrega para a comunidade e para a educação indígena.

“É uma alegria muito grande compartilhar este momento com a comunidade. Hoje, as famílias serão contempladas com uma estrutura pensada para oferecer uma educação de qualidade. Quero agradecer a todos que participaram dessa conquista, especialmente à comunidade, e reforçar a importância de cuidar e zelar por esse patrimônio, para que ele continue beneficiando as próximas gerações”, enfatizou.

A escola conta com quatro salas de aula, direção, espaços administrativos, cozinha, banheiros adaptados e parquinho, oferecendo melhores condições para o desenvolvimento das atividades escolares. A unidade atende estudantes do Ensino Fundamental, do 1° ao 9° ano, e do Ensino Médio, nos turnos da manhã e da tarde.

A equipe é formada por nove professores, um auxiliar administrativo, duas merendeiras e dois profissionais responsáveis pelos serviços de limpeza e conservação. Atualmente, a escola atende 17 estudantes.

Cacique Cláudio Tembé: "Um sonho a se concretizar"

Sonho da comunidade

Para o cacique Cláudio Tembé, a entrega representa a realização de um sonho coletivo da aldeia. “Quero agradecer a todos e também a todo o apoio do Estado, que está nos auxiliando muito. Antes, nossos professores e alunos sofreram bastante. As salas eram cobertas de palha e, quando chovia, a água entrava, e os estudantes precisavam correr para o outro lado para se proteger. Hoje, estamos vendo esse sonho se concretizar”, frisou.

A nova estrutura também representa uma mudança importante na rotina dos estudantes. Para o aluno Felipe Tembé, do 2º ano do Ensino Médio, a escola oferece novas possibilidades de aprendizagem e participação nas atividades pedagógicas.

“Estudar em uma escola nova, grande, é muito gratificante para nós. Sempre estudamos em escolas pequenas e agora teremos uma estrutura melhor. Estamos muito felizes com essa evolução, porque poderemos participar melhor dos projetos e ter uma dinâmica diferente dentro da sala de aula”, destacou.

Cooperação para fortalecer a educação

A entrega integra o projeto de cooperação técnica entre o FNDE e o UNOPS, que busca viabilizar a conclusão de unidades escolares em territórios indígenas e quilombolas, respeitando as características e necessidades das comunidades atendidas.

O representante do UNOPS, Nuno Paulo, destacou que a construção de uma escola vai além da entrega de uma infraestrutura física, pois representa novas oportunidades para crianças e jovens, além de contribuir para a valorização da identidade cultural.

“Essa escola não representa apenas uma nova estrutura, mas também oportunidades para as crianças aprenderem, crescerem e construírem seu futuro. Aqui, representa também uma ponte entre gerações, entre o conhecimento tradicional e o conhecimento científico, permitindo que as crianças avancem sem perder suas raízes e sua identidade cultural”, salientou.

Texto: Ivana Barreto / Seduc