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Emagrecimento após os 35 anos exige olhar além da balança
Após os 35 anos, a redução gradual da massa muscular e as mudanças hormonais podem alterar o gasto energético e dificultar a perda de peso. A Dra. Paulla Mello, médica com atuação em emagrecimento e saúde metabólica, explica por que preservar a mu...
11/09/2026 15h57
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A partir dos 35 anos, perder peso pode se tornar mais desafiador por uma combinação de mudanças que acontecem no organismo ao longo do tempo. Um estudo publicado na revista Science, com 6.421 participantes de 29 países, com idades entre oito dias e 95 anos, mostrou que a taxa metabólica ajustada permanece relativamente estável entre os 20 e os 60 anos. Nesse período, porém, mudanças na composição corporal, especialmente a redução da massa muscular, podem influenciar a forma como o corpo utiliza energia e responde ao processo de emagrecimento.

A distribuição da gordura corporal também se reorganiza com o envelhecimento. Pesquisadores do City of Hope, nos Estados Unidos, identificaram em estudo divulgado em 2026 um tipo de célula-tronco que passa a produzir novas células de gordura na região abdominal na meia-idade. O achado ajuda a entender por que a cintura tende a crescer mesmo quando o peso total pouco varia. O assunto ganha relevância à medida que a obesidade é reconhecida como doença crônica por instituições de saúde.

Para a médica Paulla Mello, com atuação em emagrecimento e saúde hormonal e metabólica, o ponto central da questão está na preservação da musculatura. Ela compara o tecido muscular a um exército responsável por boa parte do gasto calórico diário.

"Não é o metabolismo em si que lentifica, mas a quantidade de músculo que reduz, e isso impacta no gasto calórico total. A cada década após os 30 anos, o organismo perde de 5% a 8% dessa massa, processo conhecido como sarcopenia, que diminui de forma proporcional o total de calorias queimadas ao longo do dia. Exercícios de força e a gestão do estresse funcionam como formas de conter esse desgaste antes que os efeitos se tornem evidentes", afirma.

A queda hormonal completa o quadro. Nos homens, a testosterona recua cerca de 1% ao ano a partir dos 30 aos 40 anos, o que favorece a perda de músculo e a redução do desempenho físico. Nas mulheres, a perimenopausa, iniciada por volta dos 40 anos, altera a composição corporal e o humor.

Dra. Paulla Mello acrescenta que o cortisol, associado ao estresse, tende a subir nesta etapa e contribui para o acúmulo de gordura e para a piora da qualidade do sono. Conhecer esses mecanismos, de acordo com a médica, permite planejar intervenções seguras e adiar mudanças que, sem cuidado, apareceriam de forma precoce.

O papel da tireoide

Entre os fatores que passam despercebidos nesse processo, a tireoide merece atenção especial, segundo a Dra. Paulla Mello, essa glândula exerce papel importante na regulação do ritmo do organismo, já que os hormônios tireoidianos atuam em praticamente todas as células e influenciam funções como frequência cardíaca, produção de calor e funcionamento intestinal.

"Se a tireoide funcionar aquém ou além do que precisamos, todo corpo sofre o impacto. A produção do hormônio depende de nutrientes como zinco, selênio, ferro, iodo e tirosina, e a falta desses elementos pode levar o organismo a estimular a glândula de forma equivocada", detalha. "Quando a origem do problema é uma carência de ferro que não foi diagnosticada, o paciente pode receber reposição hormonal e continuar cansado, porque a causa real permaneceu sem tratamento", complementa.

Desequilíbrios sutis, alerta a médica, costumam ser ignorados por anos, sobretudo quando um exame aponta alteração dentro de uma faixa considerada normal e a conduta se limita a observar.

Sintomas como cansaço, pele seca, névoa mental, humor deprimido e ganho de peso acabam atribuídos à rotina, e não investigados a fundo. No sentido oposto, ela cita o hipertireoidismo, quando a glândula trabalha além do necessário e provoca perda de peso sem explicação, coração acelerado, ansiedade, tremor e insônia, sinais que também se confundem com o cansaço do cotidiano.

Sinais que pedem investigação

Nem todo check-up de rotina contempla a profundidade necessária, já que os exames padrão costumam mirar apenas o que é mais frequente na população.

"Tudo o que não é normal merece ser investigado. E normal é diferente de comum: alguns sintomas podem ser frequentes, mas isso não significa que devam ser considerados normais", resume a especialista em emagrecimento e saúde hormonal e metabólica.

Entre os sinais que, na leitura dela, não devem ser tratados como banais, estão o cansaço ao acordar, a falta de energia para exercícios, o sono fragmentado, a dificuldade de concentração, os esquecimentos frequentes e as oscilações de peso sem causa aparente.

Avaliação individualizada

Diante desse cenário, a personalização tende a superar os protocolos genéricos de dieta e treino. No programa Alta Performance Metabólica (APM), criado pela Dra. Paulla Mello, a proposta combina suplementação personalizada, avaliação médica mensal, acompanhamento nutricional e uso de testes genéticos e de tolerância alimentar para mapear predisposições individuais.

O acompanhamento é contínuo, com contato frequente entre as consultas, o que permite ajustar a conduta conforme a resposta de cada organismo, sem esperar meses por uma reavaliação. "O tratamento será totalmente personalizado, sempre", declara.

Preservar a massa magra e corrigir desequilíbrios hormonais no momento adequado, conclui Dra. Paulla Mello, surte mais efeito no tratamento do emagrecimento do que perseguir isoladamente a redução do número na balança.

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