A carência pode fazer você aceitar menos do que merece
Por Josy Martins
A carência pode fazer você acreditar que não é amada.
E essa sensação pode se transformar em uma armadilha perigosa.
Quando estamos emocionalmente fragilizadas, podemos começar a aceitar muito pouco e, ainda assim, acreditar que nem aquilo merecemos.
Aos poucos, passamos a nos colocar para baixo.
Começamos a buscar constantemente a aprovação dos outros.
A opinião das pessoas passa a ter mais peso do que aquilo que pensamos sobre nós mesmas.
E é justamente aí que precisamos prestar atenção.
Seu valor não pode depender da presença de alguém ao seu lado.
O dever de uma pessoa é aprender a se manter de pé, e não permanecer de pé apenas porque alguém está segurando sua mão.
Ter alguém ao lado pode ser maravilhoso.
Mas precisar de alguém para acreditar que você tem valor é outra coisa.
E essa diferença precisa ser compreendida.
Cuidado com o estado de carência emocional
Quando a carência se torna intensa, ela pode aumentar a vulnerabilidade emocional e favorecer relações desequilibradas.
A pessoa começa a aceitar comportamentos que normalmente não aceitaria.
Aceita migalhas de atenção.
Aceita palavras sem atitudes.
Aceita promessas que nunca se cumprem.
E, muitas vezes, permanece ali porque tem medo de ficar sozinha.
É nesse momento que pessoas manipuladoras podem encontrar espaço.
Elas percebem aquilo que você deseja ouvir.
Percebem seus medos.
Suas inseguranças.
Sua necessidade de carinho.
E podem usar exatamente isso para controlar suas emoções.
Você entrega tudo.
Sua atenção.
Seu tempo.
Seu cuidado.
Sua energia.
Seu afeto.
E recebe muito pouco em troca.
Pior: às vezes, recebe apenas aquilo que precisava ouvir para continuar presa naquela relação.
Carinho não é manipulação
Existe uma diferença enorme entre alguém que demonstra amor e alguém que utiliza palavras bonitas para conseguir aquilo que deseja de você.
Manipulação emocional pode acontecer quando uma pessoa usa culpa, medo, elogios calculados, promessas, ameaças ou silêncio para controlar o comportamento do outro.
E a carência pode dificultar a percepção desses sinais.
Porque quando queremos muito ser amadas, podemos confundir atenção com amor.
Podemos confundir posse com cuidado.
Podemos confundir controle com preocupação.
Podemos confundir palavras com compromisso.
Mas amor verdadeiro precisa vir acompanhado de respeito, reciprocidade, cuidado e atitude.
Não espere ser descartada para reconhecer seu próprio valor
Uma das experiências mais dolorosas é perceber que alguém estava por perto apenas enquanto conseguia alguma coisa de você.
Enquanto você servia.
Enquanto ajudava.
Enquanto cedia.
Enquanto fazia tudo para agradar.
Quando a pessoa deixa de conseguir aquilo que deseja, simplesmente se afasta.
E então você percebe que foi tratada como uma presa fácil.
Mas é justamente nesse momento que precisamos reconstruir uma verdade:
você não perdeu seu valor porque alguém não soube reconhecê-lo.
Seu valor nunca esteve nas mãos daquela pessoa.
Terapia não é luxo
Vivemos em uma sociedade emocionalmente carente.
Carente de amor.
Carente de carinho.
Carente de respeito.
Carente de reciprocidade.
Carente de fidelidade.
E, principalmente, carente de caráter nas relações.
Por isso, cuidar da saúde emocional tornou-se cada vez mais importante.
Buscar terapia não deve ser motivo de vergonha.
A psicoterapia pode ser um espaço para compreender padrões de relacionamento, fortalecer a autoestima, estabelecer limites e aprender a reconhecer aquilo que faz bem e aquilo que machuca.
Não significa que existe algo “errado” com você.
Significa que você decidiu cuidar de si.
Cuide do seu amor-próprio
Antes de perguntar se alguém ama você, talvez seja necessário perguntar:
Eu tenho me amado?
Tenho respeitado meus limites?
Tenho aceitado coisas que me machucam apenas para não ficar sozinha?
Tenho permitido que a opinião dos outros determine aquilo que penso sobre mim?
Tenho me abandonado para conseguir permanecer ao lado de alguém?
Essas perguntas nem sempre são fáceis.
Mas podem ser necessárias.
Amor-próprio não significa egoísmo.
Significa reconhecer que você também merece o cuidado que tantas vezes oferece aos outros.
Significa aprender a dizer não.
Significa se afastar quando necessário.
Significa compreender que ficar sozinha por algum tempo pode ser muito mais saudável do que permanecer acompanhada de alguém que destrói sua autoestima.
Não entregue sua vida a quem oferece apenas palavras
Quem realmente deseja estar com você não precisa mantê-la presa pela insegurança.
Não precisa diminuir você.
Não precisa fazer você sentir medo de perder.
Não precisa manipular seus sentimentos para conseguir aquilo que deseja.
Relacionamentos saudáveis são construídos com reciprocidade.
Com respeito.
Com verdade.
Com presença.
Com caráter.
E, principalmente, com liberdade.
Você não precisa aceitar migalhas para provar que merece amor.
Você não precisa viver buscando aprovação.
Você não precisa permanecer onde é constantemente diminuída.
Cuide de você.
Cuide da sua autoestima.
Cuide da sua saúde emocional.
Cuide do seu amor-próprio.
E lembre-se:
ninguém deve ter mais poder sobre a maneira como você se enxerga do que você mesma.
— Josy Martins
Josy Entre Nós
Um espaço de conversa, acolhimento, autoestima, recomeços e fortalecimento feminino.
Observação importante: se a tristeza, o vazio, a desesperança ou a dependência emocional estiverem causando sofrimento intenso ou interferindo na vida cotidiana, buscar um psicólogo ou outro profissional de saúde mental pode ser importante. Em situação de crise ou risco imediato, procure um serviço de urgência. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional pelo telefone 188.
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