Saúde Hora da Terapia
Setembro Amarelo: quando a depressão pede para ser ouvida
Falar sobre depressão, acolhimento e saúde mental pode ajudar a reconhecer sinais de sofrimento e incentivar a busca por ajuda
10/09/2026 13h35
Por: Daniele Queiroz Fonte: Dra. Daniele Queiroz
Daniele Queiroz

HORA DA TERAPIA

Setembro Amarelo: quando a depressão pede para ser ouvida

Por Daniele Queiroz
Psicóloga clínica, pedagoga, especialista em Pedagogia Empresarial, Neuropsicologia, Neuropsicopedagogia e Neurociências

Olá! Vamos falar sobre terapia?

Nesta semana, quero abordar um assunto delicado, mas extremamente necessário: a depressão e a importância de cuidar da saúde mental.

Durante muito tempo, a depressão foi cercada de preconceitos. Ainda hoje, infelizmente, há quem diga que é “frescura”, falta de força de vontade ou até mesmo falta de fé.

Mas depressão não é fraqueza.

É uma condição de saúde que pode afetar profundamente a forma como uma pessoa pensa, sente, se relaciona e vivencia a própria vida.

Lembro-me de uma explicação utilizada pela minha professora, Tânia Ferreira, que costumava separar a palavra depressão em “de pressão”, como uma forma didática de nos fazer refletir sobre aquilo que pode acontecer quando uma pessoa vive submetida a cobranças constantes.

E essa reflexão continua muito atual.

Quantas vezes colocamos sobre nós uma pressão enorme para dar conta de tudo?

Precisamos trabalhar, cuidar da família, corresponder às expectativas dos outros, ser eficientes, agradar, não decepcionar e, muitas vezes, demonstrar força mesmo quando estamos exaustos.

Em meio a tantas exigências, podemos acabar nos esquecendo de nós mesmos.

Quando a cobrança pesa demais

A dificuldade em estabelecer limites, a necessidade constante de aprovação, a autocobrança excessiva e o hábito de colocar as necessidades dos outros sempre à frente das próprias podem contribuir para o sofrimento emocional.

Mas é importante compreender que a depressão não possui uma única causa.

Ela pode resultar da interação de diferentes fatores, incluindo aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

Por isso, não devemos reduzir uma experiência tão complexa a uma explicação simples.

Cada pessoa possui uma história, um contexto e uma forma própria de vivenciar o sofrimento.

E quando surge o vazio?

Existem momentos em que, mesmo quando aparentemente temos tudo, sentimos que alguma coisa está faltando.

É um vazio que nem sempre conseguimos explicar.

Procuramos respostas, ocupações, pessoas ou situações que possam preenchê-lo, mas a sensação permanece.

A tristeza persistente, a perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, o isolamento, a desesperança, alterações no sono e no apetite, a falta de energia e sentimentos intensos de culpa ou inutilidade podem indicar que algo não está bem e merece atenção profissional.

É justamente por isso que precisamos aprender a ouvir também aquilo que não está sendo dito.

Nem sempre quem sofre consegue pedir ajuda.

Às vezes, a pessoa continua trabalhando, estudando, cuidando da família e sorrindo para os outros, enquanto enfrenta uma batalha silenciosa.

A importância da escuta

Falar sobre depressão também é falar sobre acolhimento.

É aprender a escutar sem julgar.

É evitar frases como “isso vai passar”, “você precisa reagir” ou “tem gente em situação pior”.

Quem está em sofrimento emocional não precisa ser comparado, pressionado ou diminuído.

Precisa ser ouvido.

Muitas vezes, oferecer presença, atenção e respeito pode ser um primeiro passo importante para que essa pessoa consiga buscar ajuda.

Setembro Amarelo: falar pode salvar vidas

O Setembro Amarelo reforça a importância de conversar sobre saúde mental, reconhecer sinais de sofrimento e incentivar a busca por ajuda.

Falar sobre o assunto de maneira responsável não significa incentivar pensamentos suicidas.

Ao contrário.

Pode abrir espaço para que uma pessoa em sofrimento perceba que não precisa enfrentar tudo sozinha.

Se você perceber mudanças importantes no comportamento de alguém próximo, tente conversar com essa pessoa com respeito, atenção e sem julgamento.

Evite minimizar aquilo que ela está sentindo.

E incentive a busca por ajuda de um profissional de saúde mental.

Pedir ajuda também é cuidado

Se você estiver passando por um momento difícil, lembre-se:

pedir ajuda não significa ser fraco.

Significa reconhecer que você merece cuidado.

A psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender sentimentos, identificar padrões, reorganizar pensamentos e construir novas formas de lidar com aquilo que está acontecendo.

Cuidar da saúde mental também é uma forma de prevenção.

Não é necessário esperar chegar ao limite para procurar ajuda.

Um convite

Talvez seja importante fazer a si mesmo algumas perguntas:

Como eu tenho me sentido?

Tenho conseguido descansar?

Tenho perdido o interesse por coisas que antes me faziam bem?

Tenho me isolado?

Tenho sentido que tudo ficou pesado demais?

Prestar atenção em si também é uma forma de cuidado.

E procurar ajuda pode ser o início de um processo de compreensão, acolhimento e reconstrução.

Sua dor merece ser ouvida. Sua história merece cuidado. E você não precisa enfrentar tudo sozinho.


Serviço de apoio

Em situações de sofrimento intenso ou risco imediato, procure ajuda profissional e serviços de emergência.

No Brasil, o CVV — Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Em situações de emergência, procure também uma unidade de saúde ou serviço de urgência da sua região.


Hora da Terapia — com Dra. Daniele Queiroz
Um espaço para se ouvir, se compreender e cuidar de si.

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