O raciocínio necessário para planejar uma jogada, a concentração diante do tabuleiro e o respeito ao adversário são aprendizados que fazem parte da rotina do Clube de Xadrez da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto. Atualmente, cerca de 20 estudantes do 6º ao 9º ano participam da atividade, desenvolvida no contraturno escolar.
Os encontros são realizados às quartas-feiras, das 13h às 15h, e são conduzidos pelo professor Leandro Freitas, precursor do projeto de implementação de clubes de xadrez em escolas da rede municipal. A iniciativa começou em 2016, na Escola Municipal Paul Percy Harris, e posteriormente também foi desenvolvida na Escola Municipal Prof. Michel Pedro Sawaya e em outras unidades.
Para além das partidas, os estudantes têm contato com diferentes formas de aprendizagem do jogo. Durante os encontros, usam apostilas, mural magnético e recursos digitais para acompanhar e analisar partidas, além de registrar as jogadas e discutir estratégias.
Segundo o professor Leandro, o xadrez é uma ferramenta que possibilita trabalhar diferentes aspectos da formação dos estudantes. “O jogo exige responsabilidade pelas decisões tomadas, disciplina e capacidade de lidar com a frustração. O aluno entende que cada escolha tem uma consequência e aprende, também, a analisar o que poderia ter feito de outra maneira”, explica.
A convivência é outro aspecto presente no Clube de Xadrez. O ambiente é pautado pelo respeito e pela colaboração, com os próprios estudantes incentivados a compartilhar conhecimentos e ensinar os colegas que estão começando a aprender o jogo.
Esse movimento também ultrapassou os encontros semanais. A escola disponibilizou tabuleiros de xadrez e damas no pátio para uso durante os intervalos. A proposta, inicialmente pensada como uma experiência, tem estimulado os alunos a ocuparem o espaço de forma espontânea: quem já conhece as regras ensina os demais, enquanto outros acompanham e participam das partidas. “Quando deixamos o tabuleiro disponível no pátio, percebemos que o jogo cria um movimento próprio. Os alunos sentam para jogar, outros observam, perguntam, aprendem. Um estudante acaba ensinando o outro. É essa troca que queremos estimular”, complementar o professor Leandro.
A trajetória do projeto também é marcada por histórias que demonstram o impacto da atividade na vida dos estudantes. Entre elas, o professor Leandro relembra o caso de um aluno que, em 2018, participou do Clube de Xadrez na Escola Paul Harris. Com dificuldades de adaptação à rotina escolar, o estudante encontrou no jogo uma oportunidade de participação, passou a representar a escola em competições e conquistou medalhas. Anos depois, já inserido no mercado de trabalho, ele mantém contato com o professor e atribui ao xadrez um papel importante em sua mudança de trajetória.
“É muito significativo observar como os estudantes se apropriam desses espaços e constroem novas formas de convivência. O xadrez trabalha valores fundamentais para a vida em sociedade, como o respeito às regras, ao outro e às diferentes formas de aprender. São experiências que ampliam o papel da escola como espaço de aprendizagem e de desenvolvimento integral”, destaca a secretária municipal de Educação, Rosicler Quartieri.