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Brasil avança em inovação, P&D e startups, destaca estudo
Trabalho traz dados relevantes sobre formação, empresas, tecnologias e inovação, destacando fatores que afetam a competitividade do Brasil no setor.
24/08/2026 17h16
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Como as empresas brasileiras de tecnologia inovam e quais fatores estruturais podem definir o futuro da Indústria de Software e Serviços de TIC (ISSTIC) são questões centrais do segundo caderno do estudo TICs 2026, lançado pelo Observatório Softex.

A publicação analisa aspectos como formação de talentos, mercado de trabalho, adoção de tecnologias, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e dinâmica das startups, identificando desafios e oportunidades para o fortalecimento do setor de tecnologia brasileiro.

A formação em TI segue como eixo estratégico. Em 2024, o Brasil registrou 4.190 cursos de TI, equivalentes a 9,2% do ensino superior. O Sudeste concentra 50% da oferta, com São Paulo respondendo por 30,57%. O EaD representa 87,3% das vagas e contribuiu para a formação de 109.875 profissionais, alta de 30,6% em relação a 2023. Persistem, porém, desafios de qualidade e permanência: cerca de 71% dos cursos avaliados pelo ENADE têm conceitos 2 ou 3, enquanto a evasão supera 50% no EaD privado.

Áreas estratégicas avançam rapidamente. As matrículas em Inteligência Artificial passaram de 396 para 3.250 entre 2022 e 2024, enquanto as vagas em Defesa Cibernética saltaram de 4.785 para 113.080 entre 2019 e 2024. "Apesar do crescimento, a qualidade e a permanência ainda são desafios", observa Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex. Para ela, a expansão da formação precisa acompanhar a demanda por competências críticas da economia digital.

A base empresarial também está em expansão. Em 2025, o Brasil alcançou 627.124 empresas na ISSTIC, alta de 21% entre 2023 e 2025. A adoção de IA passou de 12,94% para 17,46% na média das empresas e de 38,24% para 48,88% no setor de Informação e Comunicação. A computação em nuvem já alcança 55,64% das empresas e 74,71% do segmento de TIC. Entre os principais obstáculos à inovação estão o custo das tecnologias (78,6%) e a escassez de profissionais (54,2%).

No mercado de trabalho, o setor reunia 1,32 milhão de vínculos formais em 2025, equivalentes a 2,20% do total nacional, com remuneração média de R$ 8.253,55, cerca de 64,28% acima da média dos serviços.

P&D e startups: inovação ainda enfrenta gargalos

No campo de pesquisa e desenvolvimento, o Brasil ainda investe abaixo dos principais polos globais de inovação: entre 1,3% e 1,7% do PIB em ciência e tecnologia, contra 6,35% em Israel e 5,32% na Coreia do Sul. Na ISSTIC, os dispêndios em P&D passaram de R$ 1,9 bilhão em 2008 para R$ 3,6 bilhões em 2017, enquanto os gastos com atividades científicas e técnicas especializadas superaram R$ 10 bilhões. O país conta com 583 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), das quais 57,1% atuam em Tecnologia e Comunicação. Os registros de software no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) também avançaram, de 2.099 em 2020 para 7.232 em 2025, embora os depósitos de patentes em TIC tenham recuado 20,4%.

O ecossistema de startups mostra potencial, mas ainda enfrenta desafios de maturidade e acesso a capital. Em 2025, o Brasil reunia 3.923 startups de base tecnológica, dentro de um universo de 22.869 startups. Destas, 67% estavam em fases de validação ou tração, enquanto apenas 3,3% haviam alcançado a escala e 50,1% não declararam faturamento. O modelo B2B predominava, com 70% das empresas, e as soluções SaaS representavam 64,4%. A captação de venture capital caiu de US$ 11,2 bilhões em 2021 para US$ 4,5 bilhões em 2025 e, pela primeira vez em 15 anos, o México superou o Brasil em investimentos. A concentração regional também permanece: o Sudeste reúne 40,2% das startups, com São Paulo respondendo por 24,8%, enquanto Santa Catarina concentra 13,3%.